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sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Lila Ripoll, "Canção do agora"
Ontem meu peito chorava.
Hoje, não.
Também cansa a desventura.
Também o sol gasta o chão.
Estava ontem sozinha,
tendo a meu lado, sombria,
minha própria companhia.
Hoje, não.
Morreu de tanto morrer
a pena que em mim vivia.
Morreu de tanto esperar.
Eu não.
Relógios do tempo andaram
marcando o tempo em meu rosto.
A vida perdeu seu tempo.
Eu não.
Também cansa a desventura.
Também o sol gasta o chão.
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Lila Ripoll
"Poesia"
Toda poesia do poema
não vale a outra - a verdadeira.
A que não consegue transpor
a face fria, que ficou ignorada.
A que não pode ser desprendimento,
mas apenas subir como perfume.
As palavras estão gastas
e sem cor. As palavras
são suspiros ritmados,
benevolentes fantasmas
bem vestidos.
A verdadeira poesia - a invisível,
toca de leve a fímbria
dos meus versos. Mas permanece
intacta no seu mundo.
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