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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Octavio Paz, "Destino de um poeta"
Palavras? Sim, de ar,
e no ar perdidas.
Deixa-me perder entre as palavras,
deixa-me ser o ar nuns lábios,
um sopro vagabundo sem contornos
que o ar desvanece.
Também, a luz em si mesma se perde.
Tradução de Luís Pignatelli.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Octavio Paz, XIIº poema dos "Trabalhos do poeta"
Depois de ter cortado todos os braços que se estendiam para mim; depois de ter entaipado todas as janelas e todas as portas; depois de ter inundado os fossos com água envenenada; depois de ter edificado minha casa no rochedo dum Não inacessível aos afagos e ao medo; depois de ter cortado a língua e logo a devorar; depois de ter lançado punhados de silêncio e monossílabos de desprezo a meus amores; depois de ter esquecido meu nome e o nome dos meus amores; depois de me ter julgado e condenado a perpétua espera e a solidão perpétua, ouvi contra as pedras de meu calabouço de silogismos a investida húmida, terna, insistente, da primavera.
Tradução de Luís Pignatelli
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domingo, 27 de setembro de 2015
Ovtavio Paz, "Garatuja"
Com um pedaço de carvão
com meu giz quebrado e meu lápis vermelho
desenhar teu nome
o nome de tua boca
o signo de tuas pernas
na parede de ninguém
Na porta proibida
gravar o nome de teu corpo
até que a lâmina de minha navalha
sangre
e a pedra grite
e o muro respire como um peito
Tradução de Luís Pignatelli
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