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segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Baquílides, "A Paz"
Grandes coisas a paz concede aos homens
riqueza e cantos como flores,
de expressões de mel.
A paz sobre os altares trabalhados,
queima no louro fogo em honra aos deuses
coxas de bois e de carneiros
de longos pelos,
e leva os jovens aos ginásios,
às flautas e aos banquetes.
No férreo punho dos escudos
a aranha cor de fogo estende a teia,
e a lança aguda e a espada de dois fios
submete-as a ferrugem.
As trombetas de bronze já não soam;
já não foge das pálpebras o sono
- tão doce como o mel -
que de manhã conforta o coração.
Pela cidade espalham-se os festins amáveis:
e brilham como chamas
as canções de amor.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Píndaro, "Sabedoria"
Melhor é desejar do céu
coisas que assentam a um espírito mortal,
sabendo o que se encontra a nossos pés,
e qual a sorte para que nascemos
Ó minh'alma, não aspires
a uma existência de imortal,
mas goza plenamente
tudo o que esteja ao teu alcance.
Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos.
Píndaro nasceu em Cinoscéfalas, na Beócia, em 522 a.C e morreu em 448.a.C.
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terça-feira, 6 de outubro de 2015
Teógnis de Mégara, "A melhor coisa"
A melhor coisa
seria não nascer aqui no mundo,
nem contemplar jamais a luz do sol.
Se alguém nasceu, porém, melhor que viaje
para as portas da Morte, a toda pressa,
e estreitamente envolto pela terra
descanse em paz.
Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Leônidas de Tarento, "Infinito era o tempo..."
Infinito era o tempo, ó homem, antes de seres dado
à luz, e infinito o que te espera no Hades.
Que parcela de vida te cabe a não ser esse instante
diminuto, pouco menos de um minuto?
Sequer desfrutas tua pequena vida de aflições,
pois te é mais odiosa que a morte inimiga.
Eis a armação de ossos de que são formados os mortais;
no entanto, eles se erguem para o ar e para as nuvens.
Vê, homem, quão inútil; postado na ponta do fio
por urdir da veste, há um verme que a faz
logo num crânio calvo, em algo mais detestável
do que a múmia ressequida de uma aranha.
Manhã após manhã busca, ó homem, tua fortaleza:
que possas na vida simples repousar.
lembrado sempre, do fundo da alma, enquanto estejas
entre os vivos, de que palha tu és feito.
Tradução de José Paulo Paes.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Íbico de Régio, "Temo adquirir"
Temo adquirir
honras humanas
ao preço de pecar
perante os deuses.
Íbico nasceu na primeira metade do século VI a.C. na Magna Grécia, em Reggio, na Calabria.
Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos.
honras humanas
ao preço de pecar
perante os deuses.
Íbico nasceu na primeira metade do século VI a.C. na Magna Grécia, em Reggio, na Calabria.
Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos.
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terça-feira, 3 de julho de 2012
Mimnermo, "Sem a Afrodite de Ouro"
Sem a Afrodite* de ouro,
que vida existe ou que doçura?
Melhor morrer, quando eu não mais tiver
os amores secretos e os presentes
de puro mel e o leito:
porque da juventude breves são as flores
para homens e mulheres.
Quando chega a velhice dolorosa
que os belos homens torna repulsivos,
cruéis preocupações desolam a alma:
o homem não mais se alegra olhando a luz do sol,
mas é odioso aos jovens
e objeto de desprezo das mulheres,
de tantos males deus cobre a velhice.
*Afrodite era a deusa do amor, da beleza e da sexualidade na mitologia grega, sendo Vênus sua equivalente romana.
Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos
Mimnermo de Cofofón foi um poeta grego que viveu na segunda metade do século VII a.C.
Colofón é atualmente a cidade de Esmirna, na Turquia.
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domingo, 1 de julho de 2012
Safo, "Fragmento"
Em redor da formosa lua os astros
velam seu branco rosto quando plena
inunda de esplendor a terra toda.
Tradução de Eugénio de Andrade.
Eugénio, que não sabia grego, traduziu Safo baseado em outras traduções.
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Paulo Silenciário, " Tuas rugas ..."
Tuas rugas, Filina, são preferíveis à seiva toda
da juventude; desejo ter em minhas mãos
antes os teus pomos pensos sob o peso dos cachos que
os seios em riste de uma donzela qualquer.
Teu outono é melhor que a primavera de outras, e há mais
calor em teu inverno do que no estio delas.
Tradução de José Paulo Paes.
Paulo Silenciário foi um poeta bizantino que morreu em Constantinopla entre 575 e 580 d.C.
Alguns dos seus poemas foram preservados na Antologia Palatina.
da juventude; desejo ter em minhas mãos
antes os teus pomos pensos sob o peso dos cachos que
os seios em riste de uma donzela qualquer.
Teu outono é melhor que a primavera de outras, e há mais
calor em teu inverno do que no estio delas.
Tradução de José Paulo Paes.
Paulo Silenciário foi um poeta bizantino que morreu em Constantinopla entre 575 e 580 d.C.
Alguns dos seus poemas foram preservados na Antologia Palatina.
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quarta-feira, 6 de julho de 2011
Íbico, "Eros, de novo, sob pálpebras sombrias ..."
Eros, de novo, sob pálpebras sombrias
lança-me olhares molhados
de manhas mil.
E me enreda nas malhas cerradas
da deusa da beleza.
À sua aproximação,
tremo
como um cavalo atrelado,
antes pronto a vencer,
agora hesitante
ante carros mais rápidos.
Tradução de Décio Pignatari
Íbico viveu no século IV a.C.
lança-me olhares molhados
de manhas mil.
E me enreda nas malhas cerradas
da deusa da beleza.
À sua aproximação,
tremo
como um cavalo atrelado,
antes pronto a vencer,
agora hesitante
ante carros mais rápidos.
Tradução de Décio Pignatari
Íbico viveu no século IV a.C.
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sábado, 2 de abril de 2011
Agatias Escolástico (530-592 d.C)
Sobre uma privada pública num subúrbio de Esmirna
Os manjares dos mortais, seus pratos caros e seletos
perdem todos, aqui, o atrativo que tinham.
Os peixes e faisões, os condimentos moídos em gral,
tantos quitudes numerosos e variados,
aqui se tornam excremento; o ventre expulsa
tudo quanto engoliu a goela faminta.
Por fim reconhece o homem que, em seu alvitre insensato
comprou, a peso de ouro, um punhado de pó.
Da Antologia Palatina
Os manjares dos mortais, seus pratos caros e seletos
perdem todos, aqui, o atrativo que tinham.
Os peixes e faisões, os condimentos moídos em gral,
tantos quitudes numerosos e variados,
aqui se tornam excremento; o ventre expulsa
tudo quanto engoliu a goela faminta.
Por fim reconhece o homem que, em seu alvitre insensato
comprou, a peso de ouro, um punhado de pó.
Da Antologia Palatina
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domingo, 11 de outubro de 2009
Safo de Lesbos

"Contemplo ..."
Contemplo como um igual aos próprios deuses
esse homem que sentado à tua frente
escuta assim de perto quando falas com tal doçura
e ris cheia de graça. Mal te vejo
o coração se agita no meu peito,
do fundo da garganta já não sai a minha voz,
a língua como que se parte, corre
um tênue fogo sob a minha pele,
os olhos deixam de enxergar, os meus
ouvidos zumbem,
e banho-me de suor, e tremo toda,
e logo fico verde como as ervas,
e pouco falta para que eu não morra
ou enlouqueça.
Safo de Lesbos viveu na Grécia entre 617 e 560 a.C.
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Simônides, "Instabilidade"
Homem mortal,
não queiras predizer
o que o Amanhã trará,
nem, vendo alguém feliz,
o tempo em que há de assim continuar.
É rápida a mudança:
tão rápido nem é o voo instável
da libélula de asas céleres.
Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos
Simônides nasceu em Ceos, na Grécia (556 a.C -468 a.C).
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Baquílides, "Agora ..."
Agora, como sempre,
com outro é que se obtem perícia:
pois não é fácil alcançar
a porta das palavras nunca ditas.
Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos.
Baquílides nasceu em 466 a.C, em Ceos, na Grécia.
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quinta-feira, 30 de julho de 2009
Melêagro de Gádara (140?-60 a. C.), Antologia Palatina
Leva-lhe esta mensagem, Dorcás; mas atenção, repete-lhe
tudo, Dorcás, duas ou três vezes. Corre
não te atrases, voa. Um instante, um instante, Dorcás, pára.
Por que te apressas sem antes saber tudo ?
Acrescenta ao que te disse - ou melhor (que tolice minha!),
não lhe digas nada - mas não - diz-lhe tudo.
Não deixes de dizer-lhe. Apesar de mandar-te, Dorcás,
vou contigo eu mesmo, vê, e na tua frente.
Tradução de José Paulo Paes
tudo, Dorcás, duas ou três vezes. Corre
não te atrases, voa. Um instante, um instante, Dorcás, pára.
Por que te apressas sem antes saber tudo ?
Acrescenta ao que te disse - ou melhor (que tolice minha!),
não lhe digas nada - mas não - diz-lhe tudo.
Não deixes de dizer-lhe. Apesar de mandar-te, Dorcás,
vou contigo eu mesmo, vê, e na tua frente.
Tradução de José Paulo Paes
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Platão, "Dou-te esta maçã ..."
Dou-te esta maçã, pedindo que a recebas.
E se aceitares, também, o meu amor,
dá-me em troca tua virgindade.
Se fores contrária ao meu desejo,
aceita-a da mesma forma,
mas pensa em como é efêmera a beleza.
Desconheço o tradutor
E se aceitares, também, o meu amor,
dá-me em troca tua virgindade.
Se fores contrária ao meu desejo,
aceita-a da mesma forma,
mas pensa em como é efêmera a beleza.
Desconheço o tradutor
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