Mostrando postagens com marcador Pedro Paulo de Sena Madureira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pedro Paulo de Sena Madureira. Mostrar todas as postagens
domingo, 31 de julho de 2016
Pedro Paulo de Sena Madureira
"Nenhum poder me interessa..."
Nenhum poder me interessa.
Nenhuma imagem me sidera.
À severa pauta de palavras, sons
e imagens espelhadas em si mesmos,
prefiro o coração ridículo
sangrando em cima de um prato.
Mas então, por que ainda poeta
quando toda ambição cessa?
Se o coração aprendeu a chorar,
se não se envergonha de subir à flor da pele
e se arrepia quando o vento do outro sopra,
porque ainda o desejo de me contar?
Quem se incomoda com o que não sei
mas sinto?
Quem a meu lado se perturba
se estou ofegante no meio da noite
pois quem desejo não veio?
Quem se comove se digo
que no amor me ardo todo
e não me importa
o que seu abraço esconda
sob forma de coice?
Afinal, o que sei todos podem saber.
O que sinto, porém,
quem, se o sente,
não mente?
Nenhum poder me domina.
E isto que ora termina
não é propriamente um poema:
apenas um recado de quem,
sozinho na cama,
escreve porque ama.
Marcadores:
Brasil,
Pedro Paulo de Sena Madureira,
Poesia
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Pedro Paulo de Sena Madureira, "Este é um trabalho como outro qualquer..." da série "Vício Inconfessável"
Este é um trabalho
como outro qualquer.
Quem o faz, entre vários,
tem também de escolher
o melhor atalho,
o passo mais afim que o chão
a percorrer requer.
Ou, se for mar de navegar,
o rastro certeiro das ondas,
o talho que elas rasgam e logo some,
para o barco em que vai
não naufragar.
Há, porém, um avesso diverso
nesta faina e lida.
A matéria que lhe move
a fábrica não são
as coisas:
são imagens,
paina solta no ar.
Nunca se sabe quando
funcionam ou param suas máquinas,
quando estão ou não dispostas a operar,
e o combustível que usam
onde o encontrar?
Este é um ofício tão raro
que prefere por sócio,
mais que o trabalho, o ócio.
(No poema, o autor fala sobre a criação literária.)
Marcadores:
Brasil,
Pedro Paulo de Sena Madureira,
Poesia
Assinar:
Postagens (Atom)
