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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Branislav Lazarevic, "Janelas em cores"


Abre-se a janela branca, e meu filho
acende um cigarro,
ainda sonolento.

Abre-se a janela azul, e minha filha,
num vestido azul,
sorridente, está parada.

Abre-se a janela amarela, e minha mulher
me observa: a flor amarela
eu rego e assovio.

Só a janela negra se cala, trancafiada:
meu pai há muito
não aparece mais.

Tradução de Aleksandar Jovanovic

domingo, 20 de janeiro de 2013

Miroslav Antic, "Marcha fúnebre dos clows"


Quando eu morrer,
tenho ao menos a certeza:
ninguém há de arrastar-se para cuspir-me na face.

Todos hão de tornar-se amigos de uma só vez
e buscarão ainda prestar-me uma homenagem qualquer.

Compreendo-vos perfeitamente:
as pessoas mortas não são malfeitores,
tampouco são nojentas,
ou assassinas.

A morte é absolvição.

A morte é a forma mais adequada de partir,
sem aperos de mão, sem promessas,
em paz.

A morte é a invalidez para os heróis
de crânios cortados,
e a insônia das cinzas
em que as almas pedem ventos de gramados.

Com a partida lucra-se bastante:
emplacam o nome e sobrenome das pessoas
pelos cantos
em papéis finos,
e todos leem o vosso nome,
leem,
como se de uma só voz tomássemos exposição de relevo,
concerto
ou pré-estreia de teatro.

Tradução de Aleksandar Jovanovic