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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Victor Loureiro, "A mãe e o rio"


O rio toca seu curso atento.
Empurra à foz
notas tardias da noite
e puxa, rumo a nascente,
a brisa precoce da manhã.
A mãe bebe nessa corrente
e desce os olhos sobre o filho
com o mesmo amor
que a água tem pelo rio,
o mesmo cuidado
que no voo, a asa.

sábado, 22 de abril de 2017

Victor Loureiro, "Pôr-se..."


Pôr-se
por si
no poente

Põe-se
parte a parte
até se pôr

totalmente
e deixa
a tarde

dispor-se no horizonte
tornando-se depoente
de cores estridentes

onde
três pedidos
são suficientes

pra que o dito seja feito
e a tarde desça
desse jeito comovente.


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Victor Loureiro, "Elizabeth"


Dobrar tão bem
tua carne faz do escultor

um ás
no jogo de curvas,

capaz de esculpir
teu corpo como se

calçasse  a pelica
nas luvas,

comesse o pão
nas espigas,

bebesse o vinho
nas uvas.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Victor Loureiro, "A mãe e o rio"


O rio toca seu curso atento.
Empurra à foz
notas tardias da noite
e puxa, rumo à nascente,
a brisa precoce da manhã.
A mãe bebe nessa corrente
e desce os olhos sobre o filho
com o mesmo amor
que a água tem pelo rio,
o mesmo cuidado
que no voo, a asa.

domingo, 28 de junho de 2015

Victor Loureiro, "Jardins de capela"


A capela da fábrica,
onde minha mãe se casou,
era. imagino, o labirinto
onde Deus trabalhara.
Minha melhor missa,
maior peregrinação,
foi ali,
mas do lado de fora,
nos jardins
entre a fé
e a imaginação.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Victor Loureiro, "Natureza do amor"


No amor mais puro
pus meus pés nus e inteiros
sem saber que amar
era andar num nevoeiro

No amor mais devasso
tive cuidados extremos

Até hoje não sei
se quando amamos sabemos