terça-feira, 2 de abril de 2013

Jorge Luis Borges












 "A Johannes Brahms"

Eu, que sou um intruso no jardim 
Que prodigaste à plural memória
Do futuro, ansiei cantar a glória
Que erigem teus violinos no azul sem fim.
Agora desisti. Para honrar-te
Não basta essa miséria que a gente
Usa chamar com presunção de arte.
Quem te honre há de ser nobre e valente.
Sou um covarde. Sou um triste. Nada
Poderá justificar esta ousadia
De cantar a magnífica alegria
- Fogo e cristal - de tua alma enamorada.
Minha servidão é a palavra impura,
De um conceito e de um som é o rebento;
Nem símbolo nem espelho nem lamento,
Teu é o rio que foge e que perdura.

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