Pensar que o vi hoje à tarde
não passou de um traço rápido
que a saudade acendeu por engano.
Onde andará o meu amigo ? Ilíadas
em tumulto, ondas sem descanso,
transparência sem desfecho, a cidade
é água sem memória. Fecho os olhos
e ouço sua voz dizendo-me eu vim,
sou o sábado que ficará contigo.
Onde andará a árvore, a copa alta
que se fez no meu caminho ?
Onde andará o meu amigo ?
A mudez de tudo diz-me
que esqueça ? Insisto. Não descanso,
não arrumo os livros, não deito
a âncora, não deito a lâmpada.
E minha cantiga há de queimar-
se toda assim, antiga, ridícula.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Eucanaã Ferraz, "Cantiga"
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Jorge de Sena, "Quem muito viu ..."
Quem muito viu, sofreu, passou trabalhos,
mágoas, humilhações, tristes surpresas;
e foi traído, e foi roubado, e foi
privado em extremo da justiça justa;
e andou terras e gentes, conheceu
os mundos e submundos; e viveu
dentro de si o amor de ter criado;
quem tudo leu e amou, quem tudo foi –
não sabe nada, nem triunfar lhe cabe
em sorte como a todos os que vivem.
Apenas não viver lhe dava tudo.
Inquieto e franco, altivo e carinhoso,
será sempre sem pátria. E a própria morte,
quando o buscar, há-de encontrá-lo morto.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Orides Fontela
"Homenagem" II
Mário Quintana
Exorcizar os ventos
anular as estátuas
recuperar os anjos
- instaurar a alegria.
Para instaurar jardins:
desencantar as fadas
dissolver os rochedos
devorar as esfinges.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Ivan Junqueira, "A mão que escreve"
A mão que escreve é aquela
que não pôde, inepta,
agarrar o que lhe era
devido nesta gleba:
glória, insígnias, troféus
e algo enfim que soubesse
àquilo a que, incrédulos,
chamamos vida eterna.
A mão que escreve é aquela
cujas linhas, babélicas,
descumpriam o périplo
que lhes previa a esfera
de um trismegístico Hermes,
e que, por dolo e inércia,
deixou perder-se a pérola
que arrancara do pélago.
A mão que escreve é aquela
que foi, além de réproba
e amiúde analfabeta,
muitas vezes canhestra:
urdiu frases sem nexo,
bateu-se em tolos duelos
e excedeu-se, sem rédeas.
A mão que escreve é aquela
que compôs alguns versos,
odes, canções de gesta
e elegias sem metro,
às quais ninguém deu crédito
nem ouvidos. Aquela
que ergueu um brinde aos féretros
de uma insepulta Grécia.
domingo, 11 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
João Cabral de Melo Neto
"Exceção: Bernanos, que se dizia escritor de sala de jantar"
Por que é o mesmo o pudor
de escrever e defecar?
Não há o pudor de comer,
de beber, de incorporar,
e em geral tem mais pudor
quem pede do que quem dá.
Então por que quem escreve,
se escrever é afinal dar,
evita gente por perto
e procura se isolar?
Escrever é estar no extremo
de si mesmo, e quem está
assim se exercendo nessa
nudez, a mais nua que há,
tem pudor de que outros vejam
o que deve haver de esgar,
de tiques, de gestos falhos,
de pouco espetacular
na torta visão de uma alma
no pleno estertor de criar.
(Mas no pudor do escritor
o mais curioso está
em que o pudor de fazer
é impudor de publicar:
com o feito, o pudor se faz
se exibir, se demonstrar,
mesmo nos que não fazendo
profissão de confessar,
não fazem para se expor
mas dar a ver o que há.)
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Cassiano Ricardo, "Poderia ter sido eu"
Quem não guardou, entre as recordações da infância,
o cego do realejo, com o seu pássaro ?
Aquele que - olhos brancos na órbita
da manhã rosa -
em cada esquina faz ressoar o seu lamurioso instrumento
à manivela ?
O cego do realejo, com o seu pássaro,
parou em frente à casa onde nasci (era eu menino)
e aí tocou a sua música mais dolorosa,
mais estridente.
Os transeuntes se aglomeraram em torno.
E logo o pássaro, por um vão da gaiola,
que havia ao lado do instrumento,
canário mágico, que parecia obediente a uma determinação
                                                                                                        [invisível,
me trouxe, preso ao bico,
um pequeno bilhete azul, retangular,
onde se achava escrito o meu futuro.
Hoje eu perguntaria :
a grade da gaiola de onde o pássaro
distribuía o futuro,
não era, ao mesmo tempo, uma outra grade
- a minha, a em que eu é que estou preso ?
Mas, que dizia o pássaro
quando me fez presente do futuro ?
Que o cometa Halley me derramaria prata
nos olhos ; derramou.
Que eu ficaria louco. (Fiquei.)
Pois ando, só, de lunocípede.
Que eu morreria, ao todo, sete vezes
(já morri quatro.)
Que eu seria obrigado, por ofício,
a atravessar salões de baile (atravessei)
como um besouro rútilo a se debater numa floresta
de espelhos;
a ser exatamente (e eu fui)
o que menos quisesse ser, a parecer
o que menos fosse,
no mundo, onde é proibido ser sincero.
Que eu seria parente dos pássaros
(e eu sou mesmo)
por causa da asa, irmã do meu pensamento.
Que o santo de minha predileção
seria S. Francisco de Assis.
Realmente, S. Francisco é o meu santo.
(Aquele com quem aprendo a ser simples,
simples como a água, e irmão do pirilampo.)
Que os meus maiores inimigos
seriam a complicação, o ornato,
o colarinho duro, o parnasianismo
e a gravata.,
e - de fato - a minha luta
é a da humildade
contra a complicação, o ornamental,
o excesso.
(Sou um bicho de concha
sem nenhuma fosforescência).
Que eu não seria presidente da República.
(Não fui.)
Mas eu não fui, também,
outras coisas, obscuras ou brilhantes,
que poderia ter sido no baralho humano
do espelho,
ou no cruzamento de uma rua com outra.
Ainda menino, eu vi passar o homicida.
Ia levado pelos policiais, seguido
pela multidão, que lhe queria ver o rosto,
pálido, transfigurado.
Imaginei-me em seu lugar e, através desse pensamento
“poderia ter sido eu”,
me vi arrastado, preso, esbofeteado
por meus irmãos, de rua em rua.
Meteram-me na prisão, queriam que eu falasse
o que não sabia. Amarraram-me as mãos,
uma à outra, as duas para o lado das costas,
e o escrivão - sem que eu dissesse nada -
bateu à máquina, os monossílabos - que arrancou ao meu corpo,
como se arrancam folhas de uma árvore.
Voltei do pesadelo, examinei a minha roupa,
não havia sinal de sangue, não havia sido
eu.
O que havia era o tráfego, os sinais luminosos,
os títulos dos jornais,
as cruzes, as encruzilhadas, que dançavam
em torno do meu ser, a dança mágica
do eu não ter sido.
O cego do realejo e o pássaro fizeram,
muitas vezes a volta ao mundo.
As estrelas passaram voando em caminho do oeste.
A esperança moveu a roda verde.
E agora
estou embaixo desta árvore em flor,
mas ainda tenho o coração batendo:
poderia ter sido eu.
E agora,
a paisagem caminha pra um lado, a lua
pra outro, dividindo a noite pelo meio.
Só as árvores é que ficam sentadas. Só eu
estou sentado sob esta árvore. Mas ...
(ainda tenho o coração batendo)
poderia ter sido eu.
Mas não o que matou, somente,
poderia ter sido eu.
O que roubou, o que cobiçou o bem do próximo,
o que falsificou a assinatura do gerente do banco,
o que assaltou na rua o transeunte,
o que embarcou por um navio o corpo em sangue e ouro
                                                                             [da mulher assassinada,
qualquer deles, enfim, no signo da balança,
poderia ter sido eu.
Por um minuto a menos - entre a rosa e o luto -,
ou a mais, no punhal da hora exata,
na corola dos números de prata.
A quem agradecer o eu não ter sido ?
A mim mesmo ? Tanto egoísmo fluorescente,
não caberia num vidro assim tão frágil.
A Deus ? Devo reconhecer que Deus
é que escolhe - Ele próprio - os que devem ser maus,
entre as cabeças louras da inocência.
Não será a Deus, indiferente a este jogo,
em que os culpados é que fazem os inocentes ?
Em que uns tem que fazer o mal
para que os outros não o façam. Entre doze,
um está escrito.
Será ao próprio ladrão, ao falsificador,
ao que roubou ao próximo o seu único amor,
que devo agradecer o terem feito
o que não fiz ?
(Os inocentes deverão beijar, como um pássaro às flores,
as mãos dos culpados.)
E saio entre a multidão, e corro a procurá-los,
aqui e ali, na floresta andarilha.
Entre ângulos faciais, cada qual mais obscuro.
(Que eles estarão, sempre, no desencontro de uma rua com outra.)
No afã de lhes levar meu agradecimento.
Mas eles compreenderão meu agradecimento ?
Compreenderão que lhes agradeço é a graça
de terem feito o que não fiz ? ou de haverem cumprido,
em meu lugar, uma sentença bíblica ?
Rua cheia de rostos glabros nas janelas
da noite mais vertical que universal.
Anúncios que ora acendem, ora apagam (não havia)
as sílabas verdes do (sido eu) dicionário
noturno.
(Não pensarão que sou um louco, um cúmplice,
um detetive, um oficial de justiça ?)
As palavras caídas na água das calçadas.
Sido. Havia. Não. Eu.
A cruz móvel das ruas, cruz do povo,
e as quatro asas : o oeste, o leste, o norte, o sul,
já inúteis em meu corpo
à hora do desastre, um grito, a interrupção do trânsito.
(Poderia ter sido eu !)
Mas, como agradecer ao assassino,
ao ladrão. ao falsário - o que fizeram,
sem me pungir, além do que fizeram ?
Se a dor dos outros nunca foi tão minha ?
no caminho que vai entre as estrelas
e o número de uma porta de casa ?
no jogo das fatalidades, rosa e luto ?
Se não encontro a rosa das três graças ?
Se nunca fui tão responsável
pelo que os outros fazem, como nesta hora
simbólica e putativa ?
Se sou eu, entre os bichos e as flores,
irmão inglório mas obrigatório
dos que - como eu - nasceram homens,
o coração batendo entre Abel e Caim ?
Se escorre, por meus olhos,
o sangue do transeunte ?
Ah, eu quero agradecer - agora o sei - é ao pássaro inocente
por não ter incluído
esses terríveis acontecimentos,
essas sílabas verdes no destino
que me entregou pelo vão da gaiola
enquanto o cego (para isso ele era cego)
tocava o seu realejo.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Luís Miguel Nava, "Basalto"
rebenta é por acção da memória, arrancam-me
basalto ao coração ondas fortíssimas.
Ainda o vejo às vezes por aí, olhamo-nos
então como se à boca
nos viesse o sabor do nosso próprio coração,
mas pouco há a dizer acerca disso.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Clarice Lispector, "Por não estarem distraídos"
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
Jorge de Lima, "Cantigas"
As cantigas lavam a roupa das lavadeiras.
As cantigas são tão bonitas, que as lavadeiras
ficam tão tristes, tão pensativas!
As cantigas tangem os bois dos boiadeiros!
Os bois são morosos, a carga é tão grande!
O caminho é tão comprido que não tem fim.
As cantigas são leves...
E as cantigas levam os bois, batem a roupa
das lavadeiras.
As almas negras pesam tanto, são
tão sujas como a roupa, tão pesadas
como os bois...
As cantigas são tão boas...
Lavam as almas dos pecadores!
Levam as almas dos pecadores!
sábado, 3 de setembro de 2011
Miguel Torga, "Relato"
Foi longo o meu caminho de poeta,
Com versos de agonia demorada:
A vida imaginada
Paralela
à outra, acontecida.
E ambas a enfunar a mesma vela
Já sem rumo à partida.
Os áugures previam,
Os mapas ensinavam,
A bússola apontava...
Mas faltava-me a fé das almas confiadas.
Teimoso, repetia
A pergunta inquieta que fazia
Ao vazio das horas navegadas.
Que certa direcçäo
Dar ao timão
Numa viagem sem qualquer sentido?
O mar diariamente enfurecido,
O céu diariamente enevoado,
E o barco fatalmente conduzido
A um cais de morte sempre adivinhado...
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Jorge de Lima,"Poema VI do Canto VI - Canto da Desaparição - da Invenção do Orfeu.
Nem as boninas e outras flores nem
a mais humilde relva, nem os ventos,
nada participava da quietude
absoluta, absoluta, eternamente
absoluta daquela pedra de
tumba, compacta, lisa, desprezada.
Nem ninguém se lembrava da criatura
e de seus sofrimentos e de sua
atormentada vida ali deixada.
Nem tristeza talvez nem alegria,
não mais perpassam sobre a sua face
Parada, indiferente mesmo à morte
que ela encerrou em treva, e esquecimento,
e o próprio esquecimento abandonou.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Murilo Mendes
Deram-me um corpo, só um!
Para suportar calado
Tantas almas desunidas
Que esbarram umas nas outras,
De tantas idades diversas;
Uma nasceu muito antes
De eu aparecer no mundo,
Outra nasceu com este corpo,
Outra está nascendo agora,
Há outras, nem sei direito,
São minhas filhas naturais,
Deliram dentro de mim,
Querem mudar de lugar,
Cada uma quer uma coisa,
Nunca mais tenho sossego.
Ó Deus, se existis, juntai
Minhas almas desencontradas.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
José Régio, "Exortação ao meu anjo"
No sonho de adoecer para poder dormir,
Fere-me com a tua lança!
Reaviva em mim a dor, fonte de esperança.
Quando a verdade, que é nua,
Me cegar como um sol, e eu me voltar para onde há lua,
E procurar jardins convencionais e plácidos,
Queima-me com os teus olhos ácidos!
Quando me for mais fácil a verdade do que ter
Um papel de actor qualquer,
Como aos que assim se recreiam,
Faz-me exibir-me bobo ante os que aplaudem ou pateiam.
Quando eu julgar, falando, dizer tudo,
Faz ante mim sorrir teu lábio mudo!
Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!
Quando eu tiver medo do Medo
E acender fósforos nos cantos rumorosos de segredo,
Arrasta-me pelos cabelos
Para entre os pesadelos!
Quando, a meio da noite e da ansiedade,
Eu me rojar por terra e te pedir piedade
Não me apareças nem me fales!
Deixa-me só com o meu cálix.
Quando eu te falsificar,
E alugar anjos de serrim para em seus braços me embalar,
Derrete o chumbo das casas:
Leva-me no tufão das tuas asas!
Quando eu, enfim, não puder mais,
Por tuas próprias mãos belíssimas e leais,
E sem caixões nem mortalhas,
Enterra-me na terra das batalhas.
Quando, depois de morto, a glória
Me levantar o seu jazigo e celebrar minha vitória,
Desvenda os alçapões dos meus escritos
E arranca à terra que me esconde os mais secretos
[dos meus gritos!
domingo, 28 de agosto de 2011
Ivan Junqueira
"Quando solene e agudo"
Quando solene e agudo eu te penetro,
mais agudo que o gume de uma adaga,
e à tua ilharga, que de suor se alaga,
me enlaço como quem abraça um cetro,
e lambo a tua espádua que naufraga
sob o sêmen fugaz com que perpetro
em ti o que não falo ou mal soletro
tal o peso do pasmo que me esmaga,
sou como um rei na cripta de uma vaga
cuja espuma engalana cada imagem
ou palavra que ruge na voragem
das páginas sagradas desta saga.
Quando me afundo em ti, útero adentro,
como Deus, numa esfera, estou no centro.
sábado, 27 de agosto de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Luís Miguel Nava, "O real"
Levado e revolvido pelas vagas
do real, estou como numa mesa posto até aos ossos,
empresto à página os meus ossos e ao escrever
é como se tivesse a mão dentro dum espelho.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Eucanaã Ferraz, "Extremo"
Rompeste do amor
o ramo
com a facilidade que
e, quanto a mim, não pude
a brevidade, o vento, o susto,
a dúvida,
nenhum espanto no teu rosto reto e sem olhos
frente às palavras que te trazia
quando,
apodrecem ao pé de mim,
faz frio, são horas, o chão
coalhado de insetos, versos,
o amor, o ramo,
teus dedos nenhuns,
é tarde, abertos
e vazios, até mais ver,
uma nuvem, um nó,
e cai.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Lya Luft, "Canção do amor sereno"
Vem sem receio: eu te recebo
Como um dom dos deuses do deserto
Que decretaram minha trégua, e permitiram
Que o mel de teus olhos me invadisse.
Quero que o meu amor te faça livre,
Que meus dedos não te prendam
Mas contornem teu raro perfil
Como lábios tocam um anel sagrado.
Quero que o meu amor te seja enfeite
E conforto, porto de partida para a fundação
Do teu reino, em que a sombra
Seja abrigo e ilha.
Quero que o meu amor te seja leve
Como se dançasse numa praia uma menina.











