segunda-feira, 19 de setembro de 2016
Leis estranhas no Iowa (EUA)
-- Beijos de mais de cinco minutos são proibidos.
-- Um homem com bigode nunca pode beijar uma mulher em público.
-- É ilegal para o homem beber três goles de cerveja, quando na cama com a mulher.
-- É contra a lei vender ou distribuir drogas ou narcóticos sem a obtenção anterior do selo de impostos sobre a droga.
-- Médicos que tratam uma pessoa com gonorreia devem relatar o fato ao conselho de saúde local e incluir a “origem provável” da doença.
-- Em Bettendorf: Lojas de bebidas alcoólicas não podem colocar cartazes de cerveja do lado de fora.
-- Em Cedar Rapids: A leitura de mãos dentro da cidade é ilegal.
-- Em Dubuque: Todos os hotéis dentro da cidade devem ter um balde cheio de água e um poste para amarrar cavalos em frente do prédio.
-- Em Marshalltown, cavalos são proibidos de comer hidrantes de incêndio.
-- Em Ottumwa: Dentro dos limites da cidade, um homem não pode piscar para uma mulher que ele não conhece.
Marcadores:
Consultor Jurídico,
Estados Unidos,
Leis estranhas,
Reportagem
domingo, 18 de setembro de 2016
sábado, 17 de setembro de 2016
José Saramago, "Caminho"
Há mentiras de mais e compromissos
(Poemas são palavras recompostas)
E por tantas perguntas sem respostas
Mascara-se a verdade com postiços.
Não é vida, nem sombra, nem razão,
É jaula de doidice furiosa,
Eriçada de gritos, angulosa,
Com estilhaços de vidro pelo chão.
É carrego de mais esta jornada
E protestos não servem, nem suores,
Já mordidos os membros de tremores,
Já vencida a bandeira e arrastada.
Depois se me apagaram os amores
Que a viagem fizeram desejada.
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Florbela Espanca, "Perdi os meus fantásticos castelos..."
Perdi meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!
Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!
Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...
Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Carlos Nejar, "Luiz Vaz de Camões"
Não sou um tempo
ou uma cidade extinta.
Civilizei a língua
e foi resposta em cada verso.
E à fome, condenaram-me
os perversos e alguns
dos poderosos. Amei
a pátria injustamente
cega, como eu, num
dos olhos. E não pôde
ver-me enquanto vivo.
Regressarei a ela
com os ossos de meu sonho
precavido? E o idioma
não passa de um poema
salvo da espuma
e igual a mim, bebido
pelo sol de um país
que me desterra. E agora
me ergue no Convento
dos Jerônimos o túmulo,
quando não morri.
Não morrerei, não
quero mais morrer.
Nem sou cativo ou mendigo
de uma pátria. Mas da língua
que me conhece e espera.
E a razão que não me dais,
eu crio. Jamais pensei
ser pai de tantos filhos.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
Alexei Bueno
"Sapiência"
Os móveis, as cartas,
A roupa engomada,
As estantes fartas,
Não arrumes nada.
As obras de arte,
A imagem fanada,
Tudo, tudo parte.
Não arrumes nada.
Como nos obriga
A ordeira morada,
Quanta dor mitiga.
Não arrumes nada.
Vais e tudo fica
Um mundo, uma estrada.
Quem o identifica?
Não arrumes nada.
Que pó, fungo, insetos,
Musgo e água parada
Tratem teus objetos.
Não arrumes nada.
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
domingo, 11 de setembro de 2016
Ruy Espinheira Filho, "Soneto das mesas"
Convido os irmãos mortos para a mesa.
E mais o pai. E a mãe. E amigos tantos.
Não para reviver coisas de prantos,
pois horas dolorosas nesta mesa
não podem ter lugar. Tem a certeza
do amor com que bordamos nossos mantos
de dias já cumpridos e outros tantos
que são dos reunidos nesta mesa.
Os que se foram, eis que não se foram
de vez. E sempre vêm, quando os convido
ou não convido - jovens, sem tristeza.
Pai, mãe, irmãos, grandes amigos... Douram-me
a alma – enquanto aguardo, comovido,
minha vez de sentar-me à sua mesa.
Marcadores:
Brasil,
Poesia,
Ruy Espinheira Filho
sábado, 10 de setembro de 2016
Dante Milano, "Monólogo"
Estar atento diante do ignorado,
Reconhecer-se no desconhecido,
Olhar o mundo, o espaço iluminado,
E compreender o que não tem sentido.
Guardar o que não pode ser guardado,
Perder o que não pode ser perdido.
- É preciso ser puro, mas cuidado!
É preciso ser livre, mas sentido!
É preciso paciência, e que impaciência!
É preciso pensar, ou esquecer,
E conter a violência, com prudência,
Qual desarmada vítima ao querer
Vingar-se, sim, vingar-se da existência,
E, misteriosamente, não poder.
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Gomes Leal, "Na rua"
Vejo-a sempre passar séria, constante,
- Ás vezes, inclinada na janela,-
Tranquila, fria, e pálido o semblante,
Como uma santa triste de capela.
Seu riso sem calor como o brilhante
No nosso lábio o próprio riso gela,
E ela nasceu para chorar diante
D'um Cristo numa estreita e escura cela.
Seu olhar virginal como as crianças
Jamais disse do amor as cousas mansas;
Jamais vergou da Força ao choque rude.
Abrasa-a um fogo divinal secreto! -
eu sinto, mal a avisto, ao seu aspecto,
O brio intenso e negro da Virtude.
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
Alexei Bueno, "Limite"
Onde acaba o dizível,
Onde as palavras falham
Ouve-se o mar terrível.
Barcos cheios que encalham,
Elas, com o surdo impulso
Das ondas se estraçalham.
E, além, além, convulso,
Retorce-se o horizonte,
Ondeante como um pulso.
Mas não há quem o afronte,
Se um o intenta, o mar vence-o...
Para além, fim e fonte.
Tudo menos o silêncio.
terça-feira, 6 de setembro de 2016
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Henriqueta Lisboa, "Os lírios"
Certa madrugada fria
irei de cabelos soltos
ver como crescem os lírios.
Quero saber como crescem
simples e belos – perfeitos! –
ao abandono dos campos.
Antes que o sol apareça,
neblina rompe neblina
com vestes brancas, irei.
Irei no maior sigilo
para que ninguém perceba
contendo a respiração.
Sobre a terra muito fria
dobrando meus frios joelhos
farei perguntas à terra.
Depois de ouvir-lhe o segredo
deitada por entre os lírios
adormecerei tranquila.
domingo, 4 de setembro de 2016
Mauro Mota, "Elegia nº 1"
Vejo-te morta. As brancas mãos pendentes.
Delas agora, sem querer, libertas
a alma dos gestos e, dos lábios quentes
ainda, as frases pensadas só em certas
tardes perdidas. Sob as entreabertas
pálpebras, sinto, em teu olhar presentes,
mundos de imagens que, às regiões desertas
da morte, levarás, que a morte sentes
fria diante de todos os apelos.
Vejo-te morta. Viva, a cabeleira,
teus cabelos voando! ah! teus cabelos!
Gesto de desespero e despedida,
para ficares de qualquer maneira
pelos fios castanhos presa à vida.
sábado, 3 de setembro de 2016
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Jorge de Lima, "Canto 1, A Fundação da Ilha, da Invenção de Orfeu"
Tu queres ilha: despe-te das coisas,
das excrecências, tira de teus olhos
as vidraças e os véus, sapatos de
teus pés, e roupas, calos, botões e
também as faces que se colam à
tua, e os braços alheios que te abraçam
e os pés que querem ir por ti, e as moças
que querem te esposar, e os ais (não ouças!)
que querem te carpir, e os campos que
querem te consolar, e os tantos guias
que querem te perder, e as ventanias
que não dormem, que batem alta noite,
tristes, em tua porta, se ressonas
pois nem o vento, nada te abandona.
Marcadores:
Brasil,
Invenção de Orfeu,
Jorge de Lima,
Poesia
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Roberto Piva
abandonar tudo, conhecer praias, amores novos.
poesia em cascatas floridas com aranhas
azuladas nas samambaias,
todo trabalhador é escravo, toda autoridade
é cômica, fazer da anarquia um
método & modo de vida, estradas,
bocas perfumadas, cervejas tomadas
nos acampamentos. Sonhar Alto.
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Marly de Oliveira, "Epigrama"
Bom é ser árvore, vento,
sua grandeza inconsciente;
e não pensar, não temer,
ser, apenas, altamente.
Permanecer uno e sempre
só e alheio à própria sorte,
com o mesmo rosto tranquilo
diante da vida e da morte.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
José Chagas, "O pássaro sem voo"
O pássaro sem voo, solto na sala,
ficou sendo um brinquedo de criança.
Que lhe importa a manhã?
Por que saudá-la
se a cantiga desperta a mão que o alcança?
De que lhe vale o canto? O canto é apenas
alegria de estranhos.
Não é tudo.
O canto é inútil como são as penas.
O pássaro sem voo, canto, é mudo.
domingo, 28 de agosto de 2016
sábado, 27 de agosto de 2016
Haroldo de Campos, "Brancura"
a gata chamada
tamborim (tam-
bi)
olhos amareloesverdeados
cara chim
gosta de telhados livres
e do calor do colo
com miados de cortesia
mandarim
nos cumprimenta toda manhã
solicitando modestíssima
que a recebamos
no interior azulejado
da cozinha
na primeira noite de cio
miou por um gato galante
e com seu galã cinzamalhado
enluarou o telhado
branquíssima de paixão
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Heitor Ferraz Mello, "Fica um par de brincos..."
Fica um par de brincos
em cima da cômoda.
Fica um elástico solto
como retrato, na gaveta.
Fica a marca da cabeça
deitada no travesseiro
em cima da cômoda.
Fica um elástico solto
como retrato, na gaveta.
Fica a marca da cabeça
deitada no travesseiro
(às vezes um fio de cabelo
para restituí-la em silêncio).
Fica a lua — a meia-lua —
que banal comparei
ao seu sorriso (lembra?).
para restituí-la em silêncio).
Fica a lua — a meia-lua —
que banal comparei
ao seu sorriso (lembra?).
Fica você que caminha.
Seu corpo indeciso
muda
e mudo se
desmembra.
Assinar:
Postagens (Atom)









