quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Alexei Bueno, "Abatedouro de cavalos"


E-los, servos do Sol e dos heróis,
Pendurados do teto entre os patifes
Balançam - como peixes dos anzóis -
De ganchos, onde aguardam virar bifes.

Das crinas, já ondeadas pelo vento,
Pinga sangue, e da língua. Sobre os joelhos
Decepam-lhe as patas. Grosso e lento,
O pelo se incha de borrões vermelhos.

Os épicos, os régios, os hieráticos
Animais, degolados, logo em latas
caberão. Sós, num canto, alvos estáticos,
Seus olhos fixam campos e cascatas.

Ser]ap patês, almôndegas, conservas...
Seus fantasmas, que os médiuns não conhecem,
Relincharão furiosos sobre as ervas,
Junto a sombras que os sonhos nunca esquecem.


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