quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Carlos Machado, "Trama"


E se o amor - essa trama de pronomes
oblíquos e possessivos, frases feitas
e desatinos - adormecesse sereno
à sombra dos relógios? E se então

com o tecido a salvo e o fogo contido,
fosse possível abrandar o calor
das fornalhas e o fragor das batalhas,
quanto de sossego restaria? Quanto

de azul viria cortejar o amanhecer
do sábado? Quanto fermento seria
necessário para compor o pão de cada

dúvida? Quanto de amor, ele mesmo
- esse bicho sagaz e sangrento -, ficaria
para contar a história dos desatinos?
 

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