segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Cantiga de Amigo, de Juião Bolseiro, "Estas noites tão longas..."


- Esta postagem é dedicada a todos que sofrem de insônia.

Estas noites tão longas que Deus fez num grave dia
para mim, que não as durmo, por que não as fazia
              no tempo em que meu amigo
              costumava falar comigo?

Porque Deus as fez tão grandes, não posso eu dormir, coitada,
e como são imensas, eu as quisera noutra vez,
              no tempo em que meu amigo
              costumava falar comigo.

Porque Deus as fez tão grandes, sem medida desiguais,
e eu dormi-las não posso, por que não as fez 
              no tempo em que meu amigo
              costumava falar comigo?


Juião Bolseiro foi poeta na corte portuguesa no século XIII.

Cantiga de Amigo na lírica medieval galego-portuguesa era uma composição breve, feita por um homem mas como se fosse escrita por uma mulher apaixonada, porque mulheres nessa época não podiam ser poetas.

Nelas, o "amigo" referenciado nas Cantigas tem o sentido de pretendente, esposo, namorado ou amante.

Para melhor compreensão da sensualidade e erotismo da cantiga, eu tentei, de forma amadora, atualizar o vocabulário e a gramática, que originalmente seriam assim:

"Aquestas noites tam longas que Deus fez em grave dia
por mim, porque as nom dórmio, e por que as nom fazia
              no tempo que meu amigo
              soía falar comigo.

Porque as fez Deus tam grandes nom posso eu dormir, coitada,
e de como som sobejas, quisera-m'outra vegada
             no tempo que meu amigo
             soía falar comigo.

Porque as Deus fez tam grandes, sem mesura desiguaes,
e as dormir nom posso, por que as nom fez ataes
             no tempo que meu amigo
             soía falar comigo?"

A disposição espacial dos versos e estrofes na apresentação da Cantiga foi a mesma que Eugénio de Andrade utilizou na sua Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa.


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