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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Alberto da Costa e Silva, "Breve solilóquio no Jardim das Tulherias"


O que quer este menino a andar de bicicleta,
senão lembrar-me do que fui? Senão, tonto de riso,
entre pombos e pardais no chão ensolarado, fingir-me?

Não aceito o ter sido. Não me quero menor
no coração que guardou o assombro e a fábula
de tudo o que viveu como um sonho escondido.

Os dias me cobraram o que era infinito.
E, se agora persigo o pedalar do menino,
é porque sei que sou o final do seu riso.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Alberto da Costa e Silva, "Murmúrio"

 
Meu pai,
a tua essência
superou
o tempo
e a sorte:

deixaste
atrás de ti
alguém
que ficou
a morrer.