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quarta-feira, 6 de maio de 2015
Ibn al-Qutiyya, "A noz"
Envoltura de duas peças
tão unidas (que linda vista!):
pálpebras cerradas no sono!
Aberta à faca:
pupila convexa
no esforço de mirar.
À orelha, por suas pregas
e esconderijos,
o seu interior
podes comparar.
Ibn al-Qutiyya foi um poeta íbero-árabe que nasceu em Sevilha em data incerta e morreu em Córdoba no ano de 977.
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Abu Al Hasan Al Husri, "O luto na Andaluzia"
Se na Andaluzia
branca é a cor
dos trajes de luto
- é justa coisa.
Não me vês, a mim,
vestido de cabelos brancos,
porque de luto estou
pela juventude?
ABU AL HASAN AL HUSRI, também conhecido como "o cego", foi um poeta árabe durante a ocupação muçulmana na península ibérica.
Dele se conservou apenas este poema.
Morreu em 1095.
Traduzido do árabe para o espanhol por Emilio Garcia Gómez, e do espanhol para o português por Fernando Couto.
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sábado, 20 de dezembro de 2014
Ibn Suhayd, "A tempestade"
Na escuridão,
abria cada flor a sua boca
aos úberes da chuva fecunda.
Carregados de água,
os exércitos das negras nuvens,
majestosamente,
desfilavam, armados
com os dourados sabres dos relâmpagos.
Abū 'Āmir ibn Šuhayd, ou apenas Ibn Suhayd (992 - 1035), foi um poeta árabe andaluz que nasceu e morreu em Córdoba durante a ocupação árabe na península ibérica.
Traduzido do árabe para o espanhol por Emilio Garcia Gómez, e do espanhol para o português por Fernando Couto.
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sábado, 12 de outubro de 2013
Ibn As-Síd, "É um cavalo negro..."
É um cavalo negro
da raça dos puros garanhões.
A noite é a sua veste
mas a aurora também lhe respingou de branco
os cascos.
Extasiada em tanta beleza,
a água gelou sobre o seu pelo
e só lhe escorre do dorso
devido ao ardor do próprio galope.
O crescente que marca o fim do jejum
brilha em seu semblante
quando os olhos se reviram de desejo.
Parece que as tempestades antes o arrastavam
quando o peitoril e a garupa
reluzem banhados de suor.
Tradução de Adalberto Alves.
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quinta-feira, 21 de junho de 2012
Muhammad Ibn Wãzir, "Encontramo-nos. Cruzaram-se os sabres..."
Encontramo-nos. Cruzaram-se os sabres,
Golpes sobre golpes em voltas de mó.
Espadas agudas jogavam em torno
De nossas gargantas e dos contrários.
Enquanto uns na sela se mantinham
Outros havia rolando pelo chão.
Peito eu não vi sem seta cravada
Nem veia sem provar a cimitarra.
Sem descanso nós fomos combatendo
Refúgio buscando no elmo e na lança.
Ah, quanta bravura de ambos os lados!
Por fim carregamos, eles vacilaram,
E o que vacila, sem remédio cai!
Abu Bakr Muhammad Ibn Sidrã 'Abd al-Wahab Ibn Wãzir al-Qais viveu no século XIII. Era natural de Silves, no Algarve, em Porugal. Foi governador de Alcácer do Sal (Al-Kassr), no litoral do Alentejo, e combateu os portugueses.
Tradução de Adalberto Alves, do livro "O meu coração é árabe".
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domingo, 3 de junho de 2012
Al-Mu'tamid, "Só eu sei ..."
Só eu sei quanto me dói a separação!
Na minha nostalgia fico desterrado
À míngua de encontrar consolação.
À pena no papel escrever não é dado
Sem que a lágrima trace, caindo teimosa,
Linhas de amor na página da face.
Se o meu grande orgulho não obstasse
Iria ver-te à noite: orvalho apaixonado
De visita às pétalas da rosa.
Al-Mutamid Alã-l-lãh ibn 'Abbãd Abu-l-Qasin Muhammad nasceu em Beja (Portugal) em 1040 e morreu em Agmat (Marrocos) em 1095.
Tradução de Adalberto Alves, do livro "O meu coração é árabe".
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domingo, 20 de maio de 2012
Ibn Darrãj Al-Qastalli, "Pois não sabes ..."
Pois não sabes, minha amiga,
Que ficar é morrer
E que a morada do cobarde é o seu túmulo?
O perigo me dará a recompensa.
Não viste o voo das aves da noite
Por ti afugentadas? Não auguraram,
Voando pela direita, que era tempo de alegria?
Ensinaram-me a temer longas viagens,
Mas são o meio de beijar a mão de Almançor*.
Venha, pois, a água salobra dos desertos
Para alcançar a torrente límpida da generosidade!
Quando a minha amiga veio para o adeus
Trouxe soluços e suspiros, inimigos da coragem,
E suplicou-me: Em nome do nosso amor, em nome da paixão!
No berço ficava nosso filho: Um menino chorando,
Que não falava, mas através do olhar
Me trespassava a alma.
Mas nem a dona de mim
Nem meu filho das entranhas
Fizeram que obedecesse.
E na ânsia da viagem
Eis que, por fim,
Eu parti...
* Almançor -Abu Amir Muhammad Ibn Abdullah Ibn Abi Amir, Al-Hajib Al-Mansur foi o governador de Al-Andalus, antigo nome árabe da região da Andaluzia na Espanha.
Seu governo marcou o auge do império Omíada na Península Ibérica.
Ibn Darrãj Al-Qastalli nasceu em Cacela (Portugal- Algarve) em 958 e morreu em 1038.
Tradução de Adalberto Alves, do livro "O meu coração é árabe".
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domingo, 6 de maio de 2012
Ibn 'Ammãr, "Bom é que não esqueçais..."
Bom é que não esqueçais
Que o que dá ao amor rara qualidade
É a sua timidez envergonhada.
Entregai-vos ao travo doce das delícias
Que filhas são dos seus tormentos.
Porém, não busqueis poder no amor...
Que só quem da sua lei se sente escravo
Pode considerar-se realmente livre.
Tradução de Adalberto Alves.
Que o que dá ao amor rara qualidade
É a sua timidez envergonhada.
Entregai-vos ao travo doce das delícias
Que filhas são dos seus tormentos.
Porém, não busqueis poder no amor...
Que só quem da sua lei se sente escravo
Pode considerar-se realmente livre.
Tradução de Adalberto Alves.
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Ibn Sara, "A brisa e a chuva".
Buscas consolo no sopro do vento ?
Em sua aragem há perfume e almíscar
Que até ti vem, ataviado de aromas,
Fiel mensageiro da tua doce amada.
O ar prova os trajes das nuvens
E escolhe um manto negro.
Uma nuvem prenhe de chuva
Acena ao jardim, saúda-o
Vertendo lágrimas nas risonhas flores.
A Terra apressa a nuvem
Para que lhe acabe o manto.
E a nuvem com uma mão
Entretece fios de chuva
E com outra vai-o enfeitando
Com um bordado de flores.
Abu Muhammad 'Abd Allah ibn Muhammad ibn Sara as-Santarini nasceu em Santarém (Portugal) em data incerta e morreu em 1123.
Tradução e escolha de Adalberto Alves, publicada no livro "O meu coração é árabe".
Em sua aragem há perfume e almíscar
Que até ti vem, ataviado de aromas,
Fiel mensageiro da tua doce amada.
O ar prova os trajes das nuvens
E escolhe um manto negro.
Uma nuvem prenhe de chuva
Acena ao jardim, saúda-o
Vertendo lágrimas nas risonhas flores.
A Terra apressa a nuvem
Para que lhe acabe o manto.
E a nuvem com uma mão
Entretece fios de chuva
E com outra vai-o enfeitando
Com um bordado de flores.
Abu Muhammad 'Abd Allah ibn Muhammad ibn Sara as-Santarini nasceu em Santarém (Portugal) em data incerta e morreu em 1123.
Tradução e escolha de Adalberto Alves, publicada no livro "O meu coração é árabe".
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Ibn 'Ammãr, "Fitei intensamente a lua ..."
Fitei intensamente a lua;
Era o teu rosto
Na noite do desespero,
De ti tive abundância
Em tempo de penúria.
Assim vivia em graça
No abrigo que me davas.
Ai, a saudade dessa estima antiga !
Doce era ser sob a tua sombra:
Errava no verde prado
À vista da fonte de água fresca.
Abu Bakr Muhammad ibn 'Ammãr nasceu em Estombar, na região de Silves (atualmente Portugal), em 1031 e morreu em 1084.
Poema copiada do excelente livro "O meu coração é Árabe", de Adalberto Alves, onde o autor recolheu e traduziu poemas de autores árabes que viveram na Península Ibérica durante a ocupação dos mouros.
Era o teu rosto
Na noite do desespero,
De ti tive abundância
Em tempo de penúria.
Assim vivia em graça
No abrigo que me davas.
Ai, a saudade dessa estima antiga !
Doce era ser sob a tua sombra:
Errava no verde prado
À vista da fonte de água fresca.
Abu Bakr Muhammad ibn 'Ammãr nasceu em Estombar, na região de Silves (atualmente Portugal), em 1031 e morreu em 1084.
Poema copiada do excelente livro "O meu coração é Árabe", de Adalberto Alves, onde o autor recolheu e traduziu poemas de autores árabes que viveram na Península Ibérica durante a ocupação dos mouros.
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