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sábado, 12 de outubro de 2013
Ibn As-Síd, "É um cavalo negro..."
É um cavalo negro
da raça dos puros garanhões.
A noite é a sua veste
mas a aurora também lhe respingou de branco
os cascos.
Extasiada em tanta beleza,
a água gelou sobre o seu pelo
e só lhe escorre do dorso
devido ao ardor do próprio galope.
O crescente que marca o fim do jejum
brilha em seu semblante
quando os olhos se reviram de desejo.
Parece que as tempestades antes o arrastavam
quando o peitoril e a garupa
reluzem banhados de suor.
Tradução de Adalberto Alves.
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Poesia Ibero-Árabe
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Muhammad Ibn Wãzir, "Encontramo-nos. Cruzaram-se os sabres..."
Encontramo-nos. Cruzaram-se os sabres,
Golpes sobre golpes em voltas de mó.
Espadas agudas jogavam em torno
De nossas gargantas e dos contrários.
Enquanto uns na sela se mantinham
Outros havia rolando pelo chão.
Peito eu não vi sem seta cravada
Nem veia sem provar a cimitarra.
Sem descanso nós fomos combatendo
Refúgio buscando no elmo e na lança.
Ah, quanta bravura de ambos os lados!
Por fim carregamos, eles vacilaram,
E o que vacila, sem remédio cai!
Abu Bakr Muhammad Ibn Sidrã 'Abd al-Wahab Ibn Wãzir al-Qais viveu no século XIII. Era natural de Silves, no Algarve, em Porugal. Foi governador de Alcácer do Sal (Al-Kassr), no litoral do Alentejo, e combateu os portugueses.
Tradução de Adalberto Alves, do livro "O meu coração é árabe".
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Portugal
domingo, 3 de junho de 2012
Al-Mu'tamid, "Só eu sei ..."
Só eu sei quanto me dói a separação!
Na minha nostalgia fico desterrado
À míngua de encontrar consolação.
À pena no papel escrever não é dado
Sem que a lágrima trace, caindo teimosa,
Linhas de amor na página da face.
Se o meu grande orgulho não obstasse
Iria ver-te à noite: orvalho apaixonado
De visita às pétalas da rosa.
Al-Mutamid Alã-l-lãh ibn 'Abbãd Abu-l-Qasin Muhammad nasceu em Beja (Portugal) em 1040 e morreu em Agmat (Marrocos) em 1095.
Tradução de Adalberto Alves, do livro "O meu coração é árabe".
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domingo, 20 de maio de 2012
Ibn Darrãj Al-Qastalli, "Pois não sabes ..."
Pois não sabes, minha amiga,
Que ficar é morrer
E que a morada do cobarde é o seu túmulo?
O perigo me dará a recompensa.
Não viste o voo das aves da noite
Por ti afugentadas? Não auguraram,
Voando pela direita, que era tempo de alegria?
Ensinaram-me a temer longas viagens,
Mas são o meio de beijar a mão de Almançor*.
Venha, pois, a água salobra dos desertos
Para alcançar a torrente límpida da generosidade!
Quando a minha amiga veio para o adeus
Trouxe soluços e suspiros, inimigos da coragem,
E suplicou-me: Em nome do nosso amor, em nome da paixão!
No berço ficava nosso filho: Um menino chorando,
Que não falava, mas através do olhar
Me trespassava a alma.
Mas nem a dona de mim
Nem meu filho das entranhas
Fizeram que obedecesse.
E na ânsia da viagem
Eis que, por fim,
Eu parti...
* Almançor -Abu Amir Muhammad Ibn Abdullah Ibn Abi Amir, Al-Hajib Al-Mansur foi o governador de Al-Andalus, antigo nome árabe da região da Andaluzia na Espanha.
Seu governo marcou o auge do império Omíada na Península Ibérica.
Ibn Darrãj Al-Qastalli nasceu em Cacela (Portugal- Algarve) em 958 e morreu em 1038.
Tradução de Adalberto Alves, do livro "O meu coração é árabe".
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domingo, 6 de maio de 2012
Ibn 'Ammãr, "Bom é que não esqueçais..."
Bom é que não esqueçais
Que o que dá ao amor rara qualidade
É a sua timidez envergonhada.
Entregai-vos ao travo doce das delícias
Que filhas são dos seus tormentos.
Porém, não busqueis poder no amor...
Que só quem da sua lei se sente escravo
Pode considerar-se realmente livre.
Tradução de Adalberto Alves.
Que o que dá ao amor rara qualidade
É a sua timidez envergonhada.
Entregai-vos ao travo doce das delícias
Que filhas são dos seus tormentos.
Porém, não busqueis poder no amor...
Que só quem da sua lei se sente escravo
Pode considerar-se realmente livre.
Tradução de Adalberto Alves.
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Ibn Sara, "A brisa e a chuva".
Buscas consolo no sopro do vento ?
Em sua aragem há perfume e almíscar
Que até ti vem, ataviado de aromas,
Fiel mensageiro da tua doce amada.
O ar prova os trajes das nuvens
E escolhe um manto negro.
Uma nuvem prenhe de chuva
Acena ao jardim, saúda-o
Vertendo lágrimas nas risonhas flores.
A Terra apressa a nuvem
Para que lhe acabe o manto.
E a nuvem com uma mão
Entretece fios de chuva
E com outra vai-o enfeitando
Com um bordado de flores.
Abu Muhammad 'Abd Allah ibn Muhammad ibn Sara as-Santarini nasceu em Santarém (Portugal) em data incerta e morreu em 1123.
Tradução e escolha de Adalberto Alves, publicada no livro "O meu coração é árabe".
Em sua aragem há perfume e almíscar
Que até ti vem, ataviado de aromas,
Fiel mensageiro da tua doce amada.
O ar prova os trajes das nuvens
E escolhe um manto negro.
Uma nuvem prenhe de chuva
Acena ao jardim, saúda-o
Vertendo lágrimas nas risonhas flores.
A Terra apressa a nuvem
Para que lhe acabe o manto.
E a nuvem com uma mão
Entretece fios de chuva
E com outra vai-o enfeitando
Com um bordado de flores.
Abu Muhammad 'Abd Allah ibn Muhammad ibn Sara as-Santarini nasceu em Santarém (Portugal) em data incerta e morreu em 1123.
Tradução e escolha de Adalberto Alves, publicada no livro "O meu coração é árabe".
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Ibn 'Ammãr, "Fitei intensamente a lua ..."
Fitei intensamente a lua;
Era o teu rosto
Na noite do desespero,
De ti tive abundância
Em tempo de penúria.
Assim vivia em graça
No abrigo que me davas.
Ai, a saudade dessa estima antiga !
Doce era ser sob a tua sombra:
Errava no verde prado
À vista da fonte de água fresca.
Abu Bakr Muhammad ibn 'Ammãr nasceu em Estombar, na região de Silves (atualmente Portugal), em 1031 e morreu em 1084.
Poema copiada do excelente livro "O meu coração é Árabe", de Adalberto Alves, onde o autor recolheu e traduziu poemas de autores árabes que viveram na Península Ibérica durante a ocupação dos mouros.
Era o teu rosto
Na noite do desespero,
De ti tive abundância
Em tempo de penúria.
Assim vivia em graça
No abrigo que me davas.
Ai, a saudade dessa estima antiga !
Doce era ser sob a tua sombra:
Errava no verde prado
À vista da fonte de água fresca.
Abu Bakr Muhammad ibn 'Ammãr nasceu em Estombar, na região de Silves (atualmente Portugal), em 1031 e morreu em 1084.
Poema copiada do excelente livro "O meu coração é Árabe", de Adalberto Alves, onde o autor recolheu e traduziu poemas de autores árabes que viveram na Península Ibérica durante a ocupação dos mouros.
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