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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Casimiro de Brito, "Cidade caótica..."


Cidade caótica -
a borboleta atravessa a rua
com o sinal vermelho.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Casimiro de Brito, "Alguém me disse..."


Alguém me disse que as aves choram
quando lhes falta o mar
por muito tempo. Não me parecem
tristes. Triste sou eu
diante das vagas
de quando fui jovem. A sombra delas na areia
tem o mesmo desenho
que meus olhos viram quando havia
paisagens. Agora,
sentado na minha rocha,
já não sei se vejo a natureza
ou se ela me vê a mim. Somos
a mesma boca, o mesmo olho obscuro
que reproduz a sombra e a sua luz.
 
 

terça-feira, 19 de junho de 2012

Casimiro de Brito, "Sombras"


Passam
corpos
colados ao silêncio

Sabeis acaso distinguir
um homem
da sua sombra?


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Casimiro de Brito, "Do poema"


O problema não é
meter o mundo no poema; alimentá-lo
de luz, planetas, vegetação. Nem
tão pouco
enriquecê-lo, ornamentá-lo
com palavras delicadas, abertas
ao amor e à morte, ao sol, ao vício,
aos corpos nus dos amantes -

o problema é torná-lo habitável, indispensável
a quem seja mais pobre, a quem esteja
mais só
do que as palavras
acompanhadas
no poema.