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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

terça-feira, 29 de novembro de 2016

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Rose Ausländer, "Espaço"


Ainda há espaço
para um poema

Ainda é o poema
um espaço

Onde se pode respirar

Tradução de Antonio Cicero

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Bertold Brecht, "O nascido depois"


Eu confesso: eu
Não tenho esperança.
Os cegos falam de uma saída. Eu
Vejo.
Após os erros terem sido usados
Como última companhia, à nossa frente
Senta-se o Nada.

Tradução de Paulo César de Souza.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Heinrich Heine, "Os grandes deuses..."


Os grandes deuses ora dormem,
Envoltos numa nuvem cinza;
Escuto como roncam forte,
A tempestade se aproxima.

Que tempo atroz! A tempestade
Quer destroçar a embarcação -
No vento e no escarcéu quem há de
Pôr sela, arreio e bridão?

Não tenho culpa se a procela
Empurra os barcos para o fundo,
Então me enrosco nas cobertas
E, como um deus, enfim eu durmo.

Tradução de André Vallias

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Bertold Brecht












"A solução"

Depois da rebelião do 17 de junho
O secretário da Associação dos escritores
mandou distribuir panfletos na Alameda Stalin
Onde se podia ler que o povo havia
Levianamente perdido a confiança no governo
E somente a reconquistaria
mediante trabalho dobrado. Ora,
Não seria bem mais fácil
Se o governo dissolvesse o povo e
Elegesse um outro?

quarta-feira, 13 de março de 2013

Heinrich Heine, "Verdadeiramente"


Tão logo brilha o sol da primavera,
As flores desabrocham pela relva;
E quando a lua espalha o véu de prata,
Um séquito de estrelas nada atrás;
Quando dois olhos lindos se iluminam,
Canções de amor os vates descortinam; -
Contudo, estrelas, lua, sol e flor,
Dois olhos lindos e canções de amor,
Por mais que nos comovam lá no fundo,
Não mudam uma vírgula no mundo.

Tradução de André Vallias

domingo, 23 de setembro de 2012

Bertold Brecht, "A máscara do mal"


Em minha parede há uma escultura de madeira japonesa
Máscara de um demônio mau, coberta de esmalte dourado.
Compreensivo observo
As veias dilatadas da fronte, indicando
Como é cansativo ser mau.

sábado, 18 de agosto de 2012

Bertold Brecht, "Quem se defende"


Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando você se defende porque lhe tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe é permitido se defender.

domingo, 8 de maio de 2011

Alguns poemas da “CARTILHA DE GUERRA ALEMÃ II”, de Bertold Brecht


I

NA GUERRA MUITAS COISAS CRESCERÃO
Ficarão maiores
As propriedades dos que possuem
E a miséria dos que não possuem
As falas do Führer
E o silêncio dos guiados

II


SE OS CAMPOS DOS JUNKERS (*) FOREM DIVIDIDOS
Não será preciso conquistar os campos dos camponeses ucranianos
Se os campos dos camponeses ucranianos forem conquistados
Os Junkers terão mais campos.

(*) Junkers eram os grandes proprietários de terras na Prússia, que também pertenciam à nobreza germânica mais tradicional (como os "coronéis" do nosso nordeste).

III

AQUELES QUE LUTAVAM CONTRA SEU PRÓPRIO POVO
Lutam agora contra outros povos
Novos escravos
Se juntarão aos velhos.

IV


É NOITE
              Os casais
              Deitam-se nos leitos. As mulheres
              Parirão órfãos.


V


PARA QUE CONQUISTAR MERCADOS PARA OS PRODUTOS
Que os trabalhadores fabricam ?
Os trabalhadores
Ficariam de bom grado com eles.

VI


O FÜHRER LHES DIRÁ: A GUERRA
Dura quatro semanas. Quando chegar o outono
Vocês estarão de volta. Mas
O outono virá e passará
E tornará a vir e passar muitas vezes
E vocês não voltarão.
O pintor lhes dirá: AS MÁQUINAS
Farão tudo por nós. Bem poucos
Precisarão morrer. Mas
Vocês morrerão às centenas de milhares, tantos
Como nunca se viu morrer.
Quando eu ouvir que vocês estão no Pólo Norte
Ou na Índia ou no Transvaal, apenas saberei
Onde um dia se encontrarão seus túmulos.

Tradução de Paulo Cezar de Souza


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Rainer Maria Rilke, "Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?"

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso – e se me quebro?
Eu sou tua água – e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.

Tradução de Paulo Plínio Abreu

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Bertold Brecht











"A fumaça"

A pequena casa entre as árvores no lago.
Do telhado sobe fumaça.
Sem ela
Quão tristes seriam
Casa, árvores e lago.

Tradução de Paulo César de Souza

domingo, 27 de março de 2011

Rainer Maria Rilke, "São Sebastião"

Como alguém que jazesse, está de pé,
sustentado por sua grande fé.
Como mãe que amamenta, a tudo alheia,
grinalda que a si mesma se cerceia.

E as setas chegam: de espaço em espaço,
como se de seu corpo desferidas,
tremendo em suas pontas soltas de aço.
Mas ele ri, incólume, às feridas.

Num só passo a tristeza sobrevém
e em seus olhos desnudos se detém,
até que a neguem, como bagatela,
e como se poupassem com desdém
os destrutores de uma coisa bela.

Tradução de Augusto de Campos