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sábado, 26 de julho de 2014

Raul de Carvalho, "Campa"


Minha febre iluminada o que te devo?
Depois da morte minha nada sei!

Sei que desejo para o meu corpo efêmero
E dividido por tantos, tantos! amores

Um cálice de brandura
Um pó de esquecimento
O quadrilátero mais simples que houver em pedra
        talhada pelos homens
E com estes dizeres: Poeta, e nada mais.


domingo, 29 de junho de 2014

Raul de Carvalho, "Amiúde"


No vale dos afectos
ninguém está seguro:
Míngua a lembrança,
Esquece-se o rosto,
Retorna-se ao eu.
Os lábios secam, as palavras dormem, os sonhos
       dispersam-se, a presença ausenta-se, há o lago de
       que não se vê o fundo -

E apenas as pequenas ilusões
- um café, o cigarro, a limonada -
imitam dois corações unidos ...

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Raul de Carvalho, "Coração sem imagens"


Deito fora as imagens,
Sem ti para que me servem
as imagens? 

Preciso habituar-me
a substituir-te
pelo vento,
que está em toda a parte
e cuja direcção
é igualmente passageira
e verídica. 

Preciso habituar-me ao eco dos teus passos
numa casa deserta,
ao trémulo vigor de todos os teus gestos
invisíveis,
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve
a não ser eu. 

Serei feliz sem as imagens.
As imagens não dão
felicidade a ninguém. 

Era mais difícil perder-te,
e, no entanto, perdi-te. 

Era mais difícil inventar-te,
e eu te inventei. 

Posso passar sem as imagens
assim como posso
passar sem ti. 

E hei-de ser feliz ainda que
isso não seja ser feliz.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Raul de Carvalho













"Conduzo..."

Conduzo com cuidado o barco da minha morte.
Mas sou insensato em tudo.