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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Leônidas de Tarento, "Infinito era o tempo..."


Infinito era o tempo, ó homem, antes de seres dado
     à luz, e infinito o que te espera no Hades.
Que parcela de vida te cabe a não ser esse instante
     diminuto, pouco menos de um minuto?
Sequer desfrutas tua pequena vida de aflições,
     pois te é mais odiosa que a morte inimiga.
Eis a armação de ossos de que são formados os mortais;
     no entanto, eles se erguem para o ar e para as nuvens.
Vê, homem, quão inútil; postado na ponta do fio
     por urdir da veste, há um verme que a faz
logo num crânio calvo, em algo mais detestável 
     do que a múmia ressequida de uma aranha.
Manhã após manhã busca, ó homem, tua fortaleza:
     que possas na vida simples repousar.
lembrado sempre, do fundo da alma, enquanto estejas
     entre os vivos, de que palha tu és feito.

Tradução de José Paulo Paes.
    

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Paulo Silenciário, " Tuas rugas ..."

Tuas rugas, Filina, são preferíveis à seiva toda
      da juventude; desejo ter em minhas mãos
antes os teus pomos pensos sob o peso dos cachos que
      os seios em riste de uma donzela qualquer.
Teu outono é melhor que a primavera de outras, e há mais
      calor em teu inverno do que no estio delas.

Tradução de José Paulo Paes.

Paulo Silenciário foi um poeta bizantino que morreu em Constantinopla entre 575  e 580 d.C.
Alguns dos seus poemas foram preservados na Antologia Palatina.

sábado, 2 de abril de 2011

Agatias Escolástico (530-592 d.C)

Sobre uma privada pública num subúrbio de Esmirna

Os manjares dos mortais, seus pratos caros e seletos
perdem todos, aqui, o atrativo que tinham.
Os peixes e faisões, os condimentos moídos em gral,
tantos quitudes numerosos e variados,
aqui se tornam excremento; o ventre expulsa
tudo quanto engoliu a goela faminta.
Por fim reconhece o homem que, em seu alvitre insensato
comprou, a peso de ouro, um punhado de pó.

Da Antologia Palatina

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Melêagro de Gádara (140?-60 a. C.), Antologia Palatina

Leva-lhe esta mensagem, Dorcás; mas atenção, repete-lhe
tudo, Dorcás, duas ou três vezes. Corre
não te atrases, voa. Um instante, um instante, Dorcás, pára.
Por que te apressas sem antes saber tudo ?
Acrescenta ao que te disse - ou melhor (que tolice minha!),
não lhe digas nada - mas não - diz-lhe tudo.
Não deixes de dizer-lhe. Apesar de mandar-te, Dorcás,
vou contigo eu mesmo, vê, e na tua frente.


Tradução de José Paulo Paes