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sábado, 1 de agosto de 2009

Yannis Ritsos, "Explicação Necessária"

Há certos versos - às vezes poemas inteiros -
que eu próprio não sei o que querem dizer. O que ignoro
retém-me ainda. E tu, tu tens razão em interrogar.
                                                                              [ Não interrogues.
Já te disse que não sei.
Duas luzes paralelas
vindo do mesmo centro. O ruído da água
que cai, no inverno, da goteira a transbordar
ou o ruído de uma gota de água caindo
de uma rosa no jardim, regado há pouco,
devagar, devagarinho, uma tarde de primavera,
como o soluço de um pássaro. Não sei o que quer dizer este ruído;
contudo aceito-o.
As coisas que sei explico-tas,
sem negligência.
Mas as outras também acrescentam a nossa vida.
Eu olhava
o seu joelho dobrado, como ela dormia,
levantando o lençol -
não era apenas amor. Este ângulo
era o cume da ternura, e o cheiro
do lençol, a lavado e a primavera, completava
este inexplicável, que eu procurei,
em vão ainda, explicar-te.


Tradução de Eugénio de Andrade


sexta-feira, 24 de julho de 2009

Yannis Ritsos



"Tudo ..."

Tudo é mistério -
a sombra da pedra
a unha do pássaro
a dobadoira
a cadeira
o poema.