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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Jorge de Lima, "Paixão e Arte"


Ter Arte é ter Paixão. Não há Paixão sem verso...
O Verso é a Arte do Verbo — o ritmo do som...
Existe em toda a parte, ao léu da Vida, asperso
E a Música o modula em gradações de tom...

Blasfemador, ardente, amoroso ou perverso
Quando a Paixão que o gera é Marília ou Manon...
Mas é sempre a Paixão que o faz vibrar diverso:
Se o inspira o Ódio é mau, se o gera o Amor é bom...

Diz a História Sagrada e a Tradição nos fala
Dum amor inocente, (o mais alto destino):
A Paixão de Jesus, o perdão a Madala.

Homem, faze do Verso o teu culto pagão
E canta a tua Dor e talha o alexandrino
A quem te acostumou a ter Arte e Paixão.



sábado, 25 de julho de 2009

Guilherme de Almeida, "Chaves de Ouro Para Onze Sonetos Que Não Foram Escritos"

Paraíso perdido que eu achei!

Tua essência que é tudo em meu todo que é nada.

Quanto mais juntos, tanto mais sozinhos.

Alternativamente a noite e o dia.

O que de olhos abertos eu não via.

Sem nunca ter começo, teve fim.

A mentira da vida e a verdade do sonho.

Mas nem sequer ouviste o que eu não disse.

E partiste. E eu fiquei no dia sem paisagem.

Nos meus fecundos arrependimentos.

Cai o pano final das pálpebras fechadas.