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domingo, 23 de outubro de 2016

Sônia de Barros, "Sem seiva"


poema oco,
que não se pode comer
                               o seu de dentro:

maçã morta

na tela do pintor cujo pincel não tem
                     o sopro
- só vento.

domingo, 14 de junho de 2015

Sônia de Barros, "Quiusa"


O sussurrar, o respirar
de folhas úmidas

falam tão mais
que o transbordamento
                                   de ondas fúrias:
lamento insano
de quem não sabe
esperar

as chuvas.

sábado, 18 de abril de 2015

Sônia de Barros












"Tempo de espera"

De quando em quando
aparece um cotoco
dependurado na carne
de minhas costas,

cravado no oco
de cada lateral;

doloroso vestígio
das asas que,
às vezes,
fogem de mim.

sábado, 28 de março de 2015

Sônia de Barros, "Aos 35"


                                                    Para meu filho Bruno

Após frias noites sem sol

um feixe de céu
escorre
percorre veias
           falésias
incide
no abismo

agudo azul
perfura de luz
o escuro mar de meus olhos
aquece meus ossos soterrados
                                    e inflama
de imenso sol
                                               o ventre
         que explode em raios de águas vivas

- o abismo se faz fonte -

e agarrada ao choro do sol
eu posso
enfim
            nascer

                                                  (16 de agosto de 2004 à 1h 34)