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terça-feira, 16 de dezembro de 2014
António Osório, "Prado e cofre"
Prado e cofre,
testemunha discreta
do amor.
A cama.
Concha do sono,
companheira
dos partos,
do salto
e dor inicial
das crianças.
Berço da nossa morte.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
António Osório
"Mãe que levei à terra"
Mãe que levei á terra
como me trouxeste no ventre,
que farei destas tuas artérias?
Que medula, placenta,
que lágrimas unem aos teus
estes ossos? Em que difere
a minha da tua carne.
Mãe que levei à terra
como me acompanhaste à escola,
o que herdei de ti
além de móveis, pó, detritos
da tua e outras casas extintas?
Porque guardavas o sopro de teus avós?
Mãe que levei á terra
como me trouxeste no ventre,
vejo os teus retratos,
seguro nos teus dezenove anos,
eu não existia, meu pai já te amava.
Que fizeste do teu sangue,
como foi possível, onde estás?
quinta-feira, 10 de abril de 2014
António Osório, "Os cães"
Os cães, tantos. Sem cuidarem
da torpeza
lambem as nossas mãos.
Misteriosa religião a deles.
O rosto do seu Deus não temem
e contemplam lado a lado.
Nem a Moisés tal foi consentido.
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