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domingo, 28 de abril de 2013

José Alberto Marques, "Post-cópula"


agora, descanso sobre o branco.
húmido de pele húmida.
sereno. contemplando.

prostrada, na estrada
do leito jaz o jazz:
a mulher minha música

o vidro, os meus olhos vidrados
reflectem os seios. o teu peito adormecido.
deitada assistes.
o tempo arrefece.

meto os braços no metal
ou areia ou pano.
os olhos abrem desmedidamente o silêncio.
cantas prostrada, adormecendo.

os sexos tocados
de espanto
são arvoredos, agora distante.
amamos o destino.
sereno. serena.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

José Alberto Marques, "Que destruo"


destruo a letra
o teu nome.todas as manhãs
eu sei que vou destruir
letra a letra.eu sei o teu nome.

eu destruo e sei letra a letra.
eu sei o teu nome.
eu destruo a letra.que letra sei do teu nome?
todas as letras de manhã.eu
sei o nome que destruo.

reinvento vogal a vogal
a tua imagem.eu sei.e as consoantes
todas as tardes.e todas as noites
reinvento a tua imagem eu sei. as
vogais todas as tardes.e as consoantes
todas as noites do teu nome letra a letra.

abro o peito segredo a segredo.eu sei
que de manhã destruo a noite.e rein-
vento o corpo letra a letra no sangue:
a tua imagem.

vogal a vogal reinvento o peito
letra a letra.todas as manhãs
eu sei o teu nome