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sábado, 16 de junho de 2012
Maria Teresa Horta
"Poder esquecer"
Poder esquecer que conheci
contigo
o interior antigo da cidade
a tua incerta boca
que corria
nas pontas dos meus seios
e minha face
Poder esquecer que ignorei
contigo
aquilo que quisemos e pensamos
as tuas lentas mãos
que percorriam
a curva dos meus rins
e as pernas que se abrem
Poder esquecer que conheci
contigo
os sítios mais meigos da cidade
os teus dedos que na minha
boca
entravam - percorriam
vorazes - insaciados
Poder esquecer que conheci
contigo
aquilo que escondemos. Não fizemos
a minha língua
no teu baixo ventre
a traçar caminhos que
perdemos
Poder esquecer que conheci
contigo
a recusa de nós...
Que ignorei contigo
tão meigas vontades que esquecemos
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Maria Teresa Horta, "Mãe"
mãe,
terminou o tempo
de sorrir
desculpa-me a morte
das plantas
tatuei a tua antiga
imagem loura
em todos os pulsos
que anjos inclinam
de existires
perdi-me noite na planície
branca
sobrevivente das madrugadas
da memória
trocaram-me os dias
e as ruas de ancas
verticais
e nas minhas mãos incompletas
trouxe-te
um naufrágio de flores
cansadas
e o único jardim d'amor
que cultivei
de navios ancorados
ao espaço
terminou o tempo
de sorrir
desculpa-me a morte
das plantas
tatuei a tua antiga
imagem loura
em todos os pulsos
que anjos inclinam
de existires
perdi-me noite na planície
branca
sobrevivente das madrugadas
da memória
trocaram-me os dias
e as ruas de ancas
verticais
e nas minhas mãos incompletas
trouxe-te
um naufrágio de flores
cansadas
e o único jardim d'amor
que cultivei
de navios ancorados
ao espaço
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Poesia,
Portugal
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Maria Teresa Horta, "Segredo"
Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa
Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa
Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar
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