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sábado, 1 de junho de 2013

Sebastião Alba, "Ninguém meu amor"


Ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Podem utilizá-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos
de papel dos nossos lagos
podem obriga-lo a parar
à entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje no mesmo lado
Mas ninguém  meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos.

domingo, 26 de maio de 2013

Sebastião Alba, "Deixa entrar no poema..."


                                       "Uma palavra que está sempre na
                                                     boca transforma-se em baba".
                                                   Provérbio Burundi.

Deixa entrar no poema
alguns clichês.

Submetidos à experiência inefável,
sua carga (eléctrica?)
escoar-se-á.

Não há uma vala comum para as palavras
decaídas,
um dicionário no inferno;

mas deixa-as vir à tona
da claridade,
e nada mais insufles. Vê:

não suportando a beleza
que as circunda, abismam-se
em seu ridículo.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sebastião Alba














"Vergo..."

Vergo sob o peso
do feixe
dos sentidos.
Sou o meu único habitante na terra.