Mostrando postagens com marcador Alejandra Pizarnik. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alejandra Pizarnik. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Alejandra Pizarnik




                                                         










 "A um poema sobre a água, de Silvana Ocampo"

                                                           A Silvana e à Condessa de Trípoli
                                                           que a noite toda emana profecias
                                                                                                     O. Paz

Teu modo de silenciar-te no poema.
Me abris como a uma flor
(sem dúvida uma flor pobre, lamentável)
que já não esperava a terrível delicadeza
da primavera. Me abris, me abro,
volto-me em água no teu poema de água
que a noite toda emana profecias.




"A un poema acerca del agua, de Silvana Ocampo" 

                                                            A Silvana y la condessa de Trípoli
                                                            que emana toda la noche profecias
                                                                                                        O. Paz

Tu modo de silenciarte en el poema.
Me abrís como a una flor
(sin duda una flor pobre, lamentable)
que ya no esperaba la terrible delicadeza
de la primavera. me abrís, me abro,
me vuelvo de agua en tu poema de agua
que emana toda la noche profecias.


Tradução amadora minha.

sábado, 29 de abril de 2017

Alexandra Pizarnik













"Noturno de Chopin por um pianista de quatro anos"

Sua música me leva
a um penhasco com um pássaro
que brinca se ouvindo cantar.
Sua música ilumina-me na chuva
por onde vamos eu e uma jaula vazia.

Tradução amadora minha


"Nocturno de Chopin por pianista de cuatro años"

Su música me lleva
a una acantilado com um pájaro
que juega a oírse cantar.
Su música me alumbra en la lluvia
por donde vamos yo y una jaula vacía.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Alejandra Pizarnik, "Poema"


Tu escolhes o lugar da ferida
onde falamos nosso silêncio.
Tu fazes da minha vida
esta cerimônia demasiado pura.

Tradução amadora minha


Poema

Tu eliges el lugar de la herida
en donde hablamos nuestro silencio.
Tu haces de mi vida
esta cerimonia demasiado pura.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Alejandra Pizarnik, " A carência"


Eu não sei de pássaros,
não conheço a história do fogo.
Mas creio que minha solidão deveria ter asas.

Tradução amadora minha


"La carencia"

Yo no sé de pájaros,
no conozco la historia del fuego.
Pero creo que mi soledad deberia tener alas.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Alejandra Pizarnik















"Mendiga voz"

E ainda me atrevo a amar
o som da luz numa hora morta,
a cor do tempo num muro abandonado.

Num olhar meu tudo perdi.
É tão distante pedir. Tão perto saber que não há.


Tradução amadora minha


Mendiga voz

Y aún me atrevo a amar
el sonido de la luz en una hora muerta,
el color del tiempo en un muro abandonado.

En mi mirada lo he perdido todo.
Es tan lejos pedir. Tam cerca saber que no hay.


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Alejandra Pizarnik, "Gold in hand blues"


e o que é que vais dizer
vou dizer somente algo
e o que é que vais fazer
vou me ocultar na linguagem
e por que
tenho medo


Tradução amadora minha


y qué es lo que vas a decir
voy a decir solamente algo
y qué es lo que vas a hacer
voy ocultarme en el linguaje
y por qué
tengo miedo

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Alejandra Pizarnik



"Destruições"

                                                        ... em beijos, não em razões
                                                                                      Quevedo

Do combate com as palavras oculta-me
e apaga o furor do meu corpo elementar.


Tradução amadora minha






Destrucciones*

                                                      ... em besos, no em razones
                                                                                   Quevedo


Del combate com las palavras ocúltame
y apaga el furor de mi cuerpo elemental.




* Em espanhol,  além de destruições, a palavra "destrucciones" também significa alagamento, faxina...
                                                    

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Alejandra Pizarnik












"A noite"

Pouco sei da noite

mas a noite parece saber de mim,
e mais ainda, me acompanha como se me quisesse,
cobre-me a existência com suas estrelas.

Talvez a noite seja a vida e o sol a morte.

Talvez a noite é nada

e as suposições sobre ela nada
e os seres que nela vivem nada.
Talvez só as palavras existam
no enorme vazio dos séculos
que nos arranham a alma com suas lembranças.

Mas a noite há de conhecer a miséria
que bebe nosso sangue e nossas ideias.
Ela deve lançar ódio aos nossos olhares
sabendo-os cheios de interesses, de desencontros.

Mas acontece que ouço a noite chorar em meus ossos.
Sua lágrima imensa delira
e grita que algo se foi para sempre.

Talvez algum dia voltaremos a ser.

Tradução amadora minha.



"La noche"

Poco sé de la noche  


pero la noche parece saber de mí,
y más aún, me asiste como si me quisiera,
me cubre la existencia con sus estrellas.  


Tal vez la noche sea la vida y el sol la muerte.  

Tal vez la noche es nada

y las conjeturas sobre ella nada
y los seres que la viven nada.
Tal vez las palabras sean lo único que existe
en el enorme vacío de los siglos
que nos arañan el alma con sus recuerdos.

Pero la noche ha de conocer la miseria
que bebe de nuestra sangre y de nuestras ideas.
Ella debe arrojar odio a nuestras miradas
sabiéndolas llenas de intereses, de desencuentros.  


Pero sucede que oigo a la noche llorar en mis huesos.
Su lágrima inmensa delira
y grita que algo se fue para siempre.

Alguna vez volveremos a ser.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Alejandra Pizarnik, "Encontro"


Alguém entra em silêncio e me abandona.

A solidão agora não está só.

Tu falas como a noite.

Te anuncias como a sede.



Tradução amadora minha.




"Encuentro"

Alguien entra en silencio y me abandona.

Ahora la soledad no está sola.

Tú hablas como la noche.

Te anuncias como la sed.

domingo, 9 de novembro de 2014

Alejandra Pizarnik, "Revelações"


De noite a teu lado
as palavras são códigos, são chaves,
o desejo reina.

Que teu corpo seja sempre
um amado espaço de revelações.


Tradução amadora minha.
 


"Revelaciones"

En la noche a tu lado
las palabrs son claves, son llaves,
el deseo es rey.
 
Que tu cuerpo sea siempre
un amado espacio de revelaciones.

sábado, 25 de outubro de 2014

Alejandra Pizarnik





















"Amantes"

Uma flor
              na lonjura da noite
              meu corpo calado
        se abre
à delicada urgência do orvalho


Tradução amadora minha.



Amantes

Una flor
            no lejos de la noche
            mi cuerpo mudo
       se abre
a la delicada urgencia del rocío

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Alejandra Pizarnik, "Anéis de Cinza"

São as minhas vozes cantando
para que não cantem eles,
os amordaçados tristemente na aurora,
os vestidos de pássaro desolado na chuva.

Há, na espera,
um rumor de lilás rompendo-se.
E há, quando vem o dia,
uma partição do sol em pequenos sóis negros.
E quando é de noite, sempre
uma tribo de palavras mutiladas
procura asilo na minha garganta
para que não cantem eles,
os funestos, os donos do silêncio.

domingo, 23 de agosto de 2009

Alejandra Pizarnik, "A Jaula"

Lá fora faz sol.
Não é mais que um sol
mas os homens olham-no
e depois cantam.

Eu não sei do sol.
Sei a melodia do anjo
e o sermão quente
do último vento.
Sei gritar até a aurora
quando a morte pousa nua
em minha sombra.

Choro debaixo do meu nome.
Aceno lenços na noite
e barcos sedentos de realidade
dançam comigo.
Oculto cravos
para escarnecer meus sonhos enfermos.

Lá fora faz sol.
Eu me visto de cinzas.

Tradução de Virna Teixeira

sábado, 25 de julho de 2009

Alejandra Pizarnik















"O Despertar"

Senhor
A gaiola se tornou pássaro
e voou
e meu coração está louco
porque uiva para a morte
e sorri detrás do vento
para meus delírios

Que farei com o medo
Que farei com o medo

Já não dança a luz em meu sorriso
nem as estações queimam pombas em minhas idéias
Minhas mãos ficaram nuas
e foram aonde a morte
ensina os mortos a viver

Senhor
O ar me castiga o ser
Detrás do ar existem monstros
que bebem meu sangue

É o desastre
É a hora do vazio não vazio
É o instante de pôr ferrolho nos lábios
ouvir os condenados a gritar
contemplar cada um de meus nomes
enforcados no nada

Senhor
Tenho vinte anos
Também meus olhos têm vinte anos
e contudo não dizem nada

Senhor
Consumei minha vida num instante
A última inocência explodiu
Agora é o nunca jamais ou simplesmente foi

Por que não me suicido diante do espelho
e desapareço para reaparecer no mar
onde um grande barco me esperaria
com as luzes acesas?

Por que não extraio minhas veias
e faço com elas uma escada
para fugir ao outro lado da noite?

O princípio deu à luz o fim
Tudo continuará igual
Os sorrisos gastos
O interesse interessado
As gesticulações que arremedam o amor
Tudo continuará igual

Mas meus braços insistem em abraçar o mundo
Porque ainda não lhes ensinaram
que já é demasiado tarde

Senhor
Expulsa os féretros de meu sangue

Recordo minha infância
quando eu era uma anciã
As flores morriam em minhas mãos
porque a dança selvagem da alegria lhes destruía o coração
Recordo as negras manhãs de sol
quando era criança
quer dizer ontem
quer dizer faz séculos

Senhor
A gaiola se tornou pássaro
e devorou minhas esperanças

Senhor
A gaiola se tornou pássaro
Que farei com o medo