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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

W.B.Yeats, "Para um amigo cujo trabalho deu em nada"


Agora sabe-se toda a verdade,
Sê reservado e aceita a derrota
De qualquer garganta sem vergonha,
Pois como podes tu competir,
Sendo educado na honra, com alguém
Que, se se provasse que mente,
Não se sentiria envergonhado nem aos seus
Olhos nem aos dos vizinhos?
Educado para uma tarefa mais dura
Do que o Triunfo, afasta-te
E como uma corda sorridente
Tocada por dedos loucos
No meio de um lugar de pedra,
Sê misterioso e exulta,
Porque acima de tudo
Isso é o mais difícil.

Tradução de Maria de Lourdes Guimarães e  Laureano Silveira.

Copiado do site  https://autoreselivros.wordpress.com/

 

domingo, 2 de agosto de 2009

Dylan Thomas



"Em meu Ofício ou Arte Taciturna"
Em meu ofício ou arte taciturna
Exercido na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes jazem no leito
Com todas as suas mágoas nos braços,
Trabalho junto à luz que canta
Não por glória ou pão
Nem por pompa ou tráfico de encantos
Nos palcos de marfim
Mas pelo mínimo salário
De seu mais secreto coração.

Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.

Tradução de Ivan Junqueira

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Thomas McCarthy, "O Jardim da Dor"

BURACO, NEVE

É uma imagem de perda irreversível,
Este buraco na campa de meu pai que precisa
Continuamente de ser cheio. Agora, todos os meses, o meu
Tio vem para repor a terra com umas pás tiradas
Ao monte que sobrou. Olhos rasos de água,
Compensa o abater do corpo do irmão.
Chego na minha motocicleta para ajudar
Mas ele não partilha o peso do desgosto.

Há seis meses que o meu pai morreu
E tem que suportar a neve funda;
Toda a noite caiu, silenciosa como o tempo,
Alisando e assemelhando tudo. Visitei
A campa gelada pelo Inverno, esperando ver
Um rasto de pegadas, um milagre da neve.


Tradução de Laureano Silveira
Copiado do site http://poesiailimitada.blogspot.com