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sábado, 26 de setembro de 2015
Leonor Scliar-Cabral
"Córdoba, Sevilha"
Em Córdoba vendem livros,
as cítaras em Sevilha.
Morena, morena minha,
cheirando a unguentos e mirra,
se um beijo ou cravo me atiras,
dou-te em troca meu destino.
Em Córdoba vendem livros,
as cítaras em Sevilha.
Para sentir teu sorriso,
tocar tua pele de oliva,
esconde-me em tua mantilha,
te tocarei de mansinho.
Em Córdoba vendem livros,
as cítaras em Sevilha.
Neste balcão escondidos,
trocaremos mil carícias.
Ouvirão teus gemidos,
pensam que em sonhos deliras.
Em Córdoba vendem livros,
as cítaras em Sevilha.
São cor de açafrão os bicos
que eu sugo, tão pequeninos,
e uma carola teu umbigo
e os pelos onde me aninho.
Em Córdoba vendem livros,
as cítaras em Sevilha.
Tuas entranhas são figos
que se abrem entumecidos
e se desmancham macios
colhidos no paraíso.
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Leonor Scliar-Cabral, "De mãos dadas"
Adeus, dá-me tua mão, porque já vais.
Nesse adeus fica um pouco do que eu fui,
de um Rio que eu vivi, que não é mais
senão fugaz lembranças que dilui
com a passageira carne já expirando.
Onde estão os amigos, as amantes,
as conversas nos bares, dissipando
uma eterna alegria que, incessante,
marulhasse na praia enluarada?
Somente os dois restamos. Ao partires
ninguém partilhará nessas mãos dadas
nosso sonho que nunca feneceu,
sem precisar falar. Rogo imprimires
na palma, ó meu amigo, o teu adeus!
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