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terça-feira, 10 de abril de 2018

Iacyr Anderson Freitas, "Oráculo de eros"


Para que não seja o teu corpo
a parte proibida do horto.

Mas a volúpia que marcasse,
entre volutas, tua face.

Somente a tua: mais nenhuma
com tamanho langor de espuma.

Com tamanha extensão de chama,
que até a memória se inflama

a cada letra do teu nome
(pois todas as outras consome).

Que seja o teu corpo o instrumento
tocado em pelo contra o vento

e por ele, vento, encarnado,
a salvo de teu próprio achado,

por fim tão senhor quanto escravo
: corpo de onde eu mesmo me escavo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Iacyr Anderson Freitas, "À margem"


Que rosto terás
na eternidade?

Qual  teu verdadeiro nome,
a palavra  que te grava 
desde o princípio?

Que olhar doarás
ao que te espera
além do tempo 
e do espaço?

E a tua voz?
Acaso pensaste
um segundo apenas
na tua voz?

Quando cessarem todos os relógios,
quando aterra entrar de vez
pelo teu corpo, qual
o teu verdadeiro rosto?