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sábado, 15 de julho de 2017
Nuno Rau, "today, that’s the question"
para Geraldo Carneiro
a forma fixa: o conteúdo não,
a mente é livre, o pensamento inquieto,
e exposto a mais esta contradição
cometo – extemporâneo – outro soneto.
O que me trouxe o uso da Razão
não sei dizer se é bom ou mau, exceto
que me arranharam fundo o coração
uns versos íntimos, um mal secreto.
Nunca aceitei o Tempo que me coube
ou por erro escolhi – e ser barroco,
parnasiano, moderno, pop, concreto,
no meu to be or not eu nunca soube:
“a vida, com seu desconcerto louco,
fugiu de vez da cela dos sonetos?”
terça-feira, 4 de julho de 2017
Nuno Rau, "por dentro, por fora"
vivendo pela margem, neste exílio
de uma pátria que não existe, a não
ser na mais absurda alucinação,
nenhum dia me abre o seu sentido;
mas isso é por dentro: além do corpo,
mundo afora, as coisas seguem normais
em seu destino, superficiais
até o limite e assim é o mundo todo;
só que isto é por fora: sob estas coisas,
sob a pele das coisas arde um tal
incêndio, uma inconstância, um vago mal
estar sem ponto fixo, entre as doidas
vertigens da espiral que é pensar,
via inútil entre as muitas que há.
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