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sábado, 11 de julho de 2015
Paul Verlaine, "Bibliofilia"
O livro velho, tantas vezes lido!
Com furos e fissuras ficou feio
Por uso, mas de súbito está cheio
De vida, ao tato e à vista oferecido.
O livro, que até pouco era defunto,
Ressurge "sem surpresa para o sábio"
Que sabe, ó Transformista de alfarrábio,
O quanto de arte pões no teu assunto.
Jovem de novo, afoito para o afã:
O livro – feito antiga cortesã
Que alguma fada-mãe deixasse virgem;
E, como se escutássemos a voz
Dourada de uma excelsa musa, nós
Relemos, entretidos na vertigem.
Tradução de André Vallias
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sábado, 21 de dezembro de 2013
Heinrich Heine, "Os grandes deuses..."
Os grandes deuses ora dormem,
Envoltos numa nuvem cinza;
Escuto como roncam forte,
A tempestade se aproxima.
Que tempo atroz! A tempestade
Quer destroçar a embarcação -
No vento e no escarcéu quem há de
Pôr sela, arreio e bridão?
Não tenho culpa se a procela
Empurra os barcos para o fundo,
Então me enrosco nas cobertas
E, como um deus, enfim eu durmo.
Tradução de André Vallias
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quarta-feira, 13 de março de 2013
Heinrich Heine, "Verdadeiramente"
Tão logo brilha o sol da primavera,
As flores desabrocham pela relva;
E quando a lua espalha o véu de prata,
Um séquito de estrelas nada atrás;
Quando dois olhos lindos se iluminam,
Canções de amor os vates descortinam; -
Contudo, estrelas, lua, sol e flor,
Dois olhos lindos e canções de amor,
Por mais que nos comovam lá no fundo,
Não mudam uma vírgula no mundo.
Tradução de André Vallias
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