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quinta-feira, 12 de setembro de 2013
William Shakespeare, "Por que meus versos ..."
Por que meus versos são tão nus de ornato novo?
Por que é que em não mudar se mostram persistentes?
Por que, com o nosso tempo, o meu olhar não movo
Para combinações e métodos recentes?
Por que é que uma só coisa escrevo, sem varia-la,
E guardo em vestes tão notórias a invenção
Que cada termo meu quase o meu nome fala,
Mostrando onde nasceu e qual a sua intenção?
Só escrevo sobre ti, meu amor, não vês?
Somente tu e o meu amor formais meu argumento;
O que já está usado usando ainda uma vez,
Dou veste nova ao verbo antigo, eis meu talento.
Pois como o sol é velho e novo cada dia,
Coisas já ditas meu amor reenuncia.
Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos
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William Shakespeare
quinta-feira, 11 de julho de 2013
William Shakespeare, "A um dia de verão como hei de comparar-te..."
A um dia de verão como hei de comparar-te?
Vencendo-o em equilíbrio, és sempre mais amável:
Em maio o vendaval ternos botões disparte,
E o estio se consome em prazo não durável;
Às vezes, muito quente, o olho do céu fulgura,
Outras vezes se ofusca a sua tez dourada;
Decai da formosura, é certo, a formosura,
Pelo tempo ou o acaso enfim desadornada:
Mas teu verão é eterno e não desmaiara,
nem hás de a possessão perder de tuas galas;
Vagando em tua sombra o Fim não te verá,
Pois neste verso eterno ao tempo tu te igualas;
Enquanto o homem respire, e os olhos possam ver,
Meu canto existirá, e nele hás de viver.
Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos
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