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quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Roberval Pereyr, "Ofício"
A minha luta é banir-me
a partir dos ossos
da ossatura dos sonhos
com seus remorsos, rebanhos
de feras subtonadas.
Banir-me a partir do corpo
onde o ego se ampara
com o porte de um porco
obeso, de banha farta.
Pois havia um destino cego
e uma carta lacrada: o ego
com que me fiz e me nego
porque não rasguei a carta.
Rasgo-a. E quanto mais rasgo
mais ela mesma se escreve.
domingo, 18 de maio de 2014
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Roberval Pereyr
"Soneto"
Não me diga nada
que já estou na estrada
que meu tempo é curto.
Pois se a vida é breve
que daqui me leve
na inversão de um susto.
Quando a vida excede
sobre o meu destino
eis que desafino
por - sabê-lo tanto.
Ai este silêncio
corrosivo, crasso,
seiva do fracasso
que transformo em canto.
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