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terça-feira, 21 de maio de 2013
José Albano, "Soneto"
Eu, que continuamente andei chorando,
Sem paz, sem alegria e sem repouso,
Ter esperanças e ilusões não ouso,
Assim desconsolado e miserando.
E corro e fujo para longe, quando
Imagino que vem surgindo um gozo,
E, nunca desejando ser ditoso,
Este meu duro estado não abrando.
Enfim, prefiro um dia de desgraça
A um momento enganoso de ventura,
Donde uma maior pena e mágoa nasça.
A vida me parece triste e escura
E na minha alma um bem, que logo passa,
Dói muito mais que um mal, que sempre dura.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
José Albano, "Soneto"
Amor que imaginei, mas nunca tive,
Tão doce enlevo e tão cruel tormento,
Por tua causa choro e me lamento,
Sem que às dores duríssimas me esquive.
Aquele antigo sonho ainda vive
Neste meu coração triste e sedento
E, posto que me seja sofrimento,
Imploro ao céu que dele me não prive.
Bem, que a males perpétuos me condenas,
Sem a tua presença pura e mansa
As horas vão e vêm, mas não serenas.
De tanto padecer o peito cansa.
Mas entre mil torturas e mil penas
Ainda permanece uma esperança.
terça-feira, 10 de julho de 2012
José Albano
"Soneto"
Poeta fui e do áspero destino
Senti bem cedo a mão pesada e dura.
Conheci mais tristeza que ventura
E sempre andei errante e peregrino.
Vivi sujeito ao doce desatino
Que tanto engana, mas tão pouco dura;
E inda choro o rigor da sorte escura,
Se nas dores passadas imagino.
Porém, como me agora vejo isento
Dos sonhos que sonhava noite e dia,
E só com saudades me atormento;
Entendo que não tive outra alegria
Nem nunca outro qualquer contentamento
Senão de ter cantado o que sofria.
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