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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Neide Archanjo, "Amor de perdição"


Era um fluir de formas
essência grave e leve
era a ordenação do caos
a harmonia breve.

Era o poema
encostado ao muro qual flor vadia
que entre ramas se esquecia.

Era o poeta
lambendo a página baldia
em que o poema
encantado se escrevia.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Neide Archanjo, "Da morte"


                              I

Qualquer coisa se foi.
Agora sei que a carne apodrece
e apenas o destino me concede
a coragem de suportar a vida assim.

A falta cresce
perversa
e eu não sou Catarina de Médices
em seus jardins.


                            II

Não estamos perdidos.
isto é um milagre. Ter um corpo
uma casa um amigo
manter nas veias o sangue aceso
é um milagre. Saber que houve alguém
que nos acariciou
e nos banhou de lágrimas.


no meio da rua
penso nestas dádivas
antes que a lâmina da morte me atravesse.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Neide Archanjo, "Da poesia"


Esculpo a página a lápis
e um cheiro de bosque
então me aparece.
Que a poesia é feita de romãs
daquilo que é eterno
e de tudo que apodrece.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Neide Archanjo












"Do amor"

Não pude ser
o teu amor perfeito
antes esta ferida.
Por isso para ti
não serei a pele
- poro a poro teu alumbramento -
serei apenas cicatriz.

Perfeita.