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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Georg Trakl, "Ocaso"
Sobre o lago branco
partiram os pássaros selvagens.
No crepúsculo sopra de nossas estrelas um vento gelado.
Sobre os nossos túmulos
Inclina-se a fronte despedaçada das trevas.
Sob carvalhos, balançamos numa barca prateada.
Sempre ressoam os muros brancos da cidade.
Sob arcos de espinhos
Oh, irmãos, ponteiros cegos, escalamos rumo à meia-noite.
Tradução de Cláudia Cavalcanti
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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Georg Trakl, "Canção ao anoitecer"
Paridos da sombra de um sopro
caminhamos no abandono,
perdidos no eterno
como o holocausto que ignora o seu destino.
Nada nos pertence, como acontece ao mendigo,
tontos, qual cegos frente ao pórtico cerrado
nós espreitamos o silêncio
onde se perde o nosso sussurro.
Somos peregrinos sem destino,
nuvens que o vento dispersou,
flores tremendo no mortífero frio
a espera da mão que as ceifará.
Compreensão só é dada àqueles que menosprezam a felicidade.
Tradução de Roswitha Kempf
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domingo, 27 de outubro de 2013
Georg Trakl, "Proximidade da morte"
Oh, a tarde, que vai às sombrias aldeias da infância.
O lago sob os salgueiros
Enche-se de suspiros empestados de melancolia.
Oh, a floresta, que baixa discreta os olhos castanhos,
Quando das mãos magras do solitário
Cai a púrpura de seus dias extasiados.
Oh, a proximidade da morte. Oremos.
Nesta noite em travesseiros mornos soltam-se
Amarelados de incenso os membros frágeis dos amantes.
Tradução de Cláudia Cavalcanti
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